quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Caixinha mágica

A televisão decididamente não para de me surpreender com suas vasta gama de inútilidades.
Ontem em mais um corriqueiro momento de insônia me vejo diante ao aparelho acompanhando o Jornal da Globo. Na volta de um intervalo a apresentadora começa dizendo algo mais ou menos assim: "Depois da eleição de Dilma Roussef, a primeira mulher a vencer uma eleição para presidente no Brasil, ficou uma dúvida no ar que deixa muitas pessoas curiosas: se diz 'a presidente' ou 'a presidenta'?". Na sequência passou uma reportangem com opiniões de populares, professor de português e até o nosso velho amigo dicionário foi chamado para sanar tão primordial questão meta-linguística.

Tendo visto isso me perguntei o que diabos isso interessa para o futuro da nação?

É verdade que o nosso belo português é absurdamente mal tratado por todos os lados, e que os meios de comunicação tem por dever passar algo cultural, que enriqueça o intelecto de seus telespectadores, e gramática podia ser sim algo muito útil. Mas a forma como essa informação foi passada, com um argumento tão estúpido, vazio, parecendo que estavam chamando quem via de idiota.
Talvez eu esteja sendo exagerado, admito, mas realmente tal demonstração de falta de interesse de passar alguma informação realmente importante me deixou devéras descontente.

A industria televisa é um negócio altamente lucrativo. Mexer com massas, moldar seus pensametos, suas personalidades pode trazer um retorno fincanceiro enorme, além aliena-las para crerem que isso ou aquilo é o correto por que eles dizem, não por ser uma conclusão cuja na qual o indíviduo chegou após PENSAR. Pensar. Essa é a apalvra chave.
Até algumas décadas atrás o principal meio de comunicação era o rádio, com seus pomposos musicias, noticiários grandiosos, novelas apenas narradas e várias outras coisas. Tendo apenas o som, as pessoas eram obrigadas a imaginar as cenas descritas, usar sua imaginação, botar o cérebro para funcionar no intuíto de obter algo mais que simplsmente a informação passada. Mas com o advento da televisão nos anos 50 essa relação mudou. Onde havia uma ideia "moldável" passada pelo rádio onde o ouvinte deveria completa-la com a imaginação, passa a haver um produto pronto, enlatado e de fácil consumo dado pela televisão.
A junção de imagem e som com temas fúteis e vagos de gosto das massas pouco intruídas (espero que isso não soe preconceituoso, que não é o caso) foi o maior alienador do século passado. Tudo ficou fácil, acessível, era apenas absorver o que dito e mostrado, não era mais necessário pensar para obter alguma conclusão, já que eles eram nos dadas já prontas.

Realmente me assusto quando me deparo com algumas coisas. Um exemplo recente: terça-feira agora, no intervalo de um jogo de basquete que assistia, fiquei zapeando os canais, e no sensacional programa Superpop da PHD em física astro-química Lucinana Gimenez estavam duas funkeiras, uma atriz pornô, um pastor adventista, um padre e um "comentarista" de televisão discutindo eleições e a validade da pornografia como arte. A cena me pareceu no mínimo escatológica. Fiquei observando aquilo por alguns minutos, sentindo meus poucos neurônio irem derretendo de tantos absurdos ditos.
Não consigo entender como alguem consiga assistir àquilo e achar bom.

E o nteressante é que dois canais acima é a TV Escola, que no momento passava um documentário sobre literatura brasileira bastante interessante. Me dá desgosto ver canais tão bons como a Tv Escola, Futura, Tv Brasil, Cultura serem simplsmente ignorados por uma parcela muito grande da sociedade.
Já perdi as contas de quantos filmes maravilhosos vi na Sessão Cine Conhecimento do Futura, quantos documentários incríveis da Tv Escola, quantas entrevistas reveladoras no Roda Viva da Cultura e por aí vai...
E enquanto isso pessoas ouvem funk e discutem se pornografia é arte.

Provavelmente não seja só interesse das corporações midiática, mas também governos (uso o plural, já que não acuso apenas um, mas todos) acham melhor que o povo seja ignorante e alienado, para serem mais facilmente enganados, iludidos e explorados para seus fins gananciosos.

E além de toda essa questão prática, a teoria que ocorre na cerne pessoal, na mente, no íntimo, também me faz crer que a Tv seja um mal. Muitas vezes me pego pensando que o meu pior defeito é pensar demais, e que a porta para ser feliz é a alienação. Sou um deprimido neurótico que não para de pensar um minuto. Mas sinceramente, acho melhor ser assim, cheio de complexos e corroído por dúvidas cruéis, mas que enxerga com os próprios olhos e que usa a própria cabeça, do que ser um fantoche tolo e feliz nas mãos de seres baixos, mesquinhos e que sustentam um sistema pútrido e decadente que se tornou a civilização humana, esquecendo que existe um mundo gigantesco ao seu redor.

A magia desta caixa é um feitiço perigoso, que pode a qualquer momento uma maldição muito pior do que não ser "feliz".

E faço meu o conselho daquele canal musical em seus tempos áureos (que jazem num passado distante):



3 comentários:

Mari disse...

vc não tá exagerando, júlio.
respeito pelo nosso idioma pra maioria é o mesmo que nada.
não quero dizer que devamos largar tudo, deixar de nos preocuparmos com a miséria e o sentido da vida e só ligar pra gramática, mas POW.
PRESIDENTA?!
mutilar o idioma pra usar como alavanca política '¬¬

e tv é uma droga, mesmo na paga pouca coisa presta. há tempos não assisto e não faz a menor falta

Van* disse...

Também fico tri desmotivada com a desvalorização aos canais culturais que passam muita coisa boa e que agregam conhecimento... :\

Ao Poeta Quase Finito disse...

Caro amigo, concordo com você em relação à inutilidade da televisão, mas, como crítica construtiva, gostaria de dizer que sua gramática também está um tanto quanto deficiente. Não que você escreva mal, mas aconselho revisar o texto antes de postá-lo.

Obrigado!