sábado, 10 de julho de 2010

Filosofia Existecialista Barata

Música Inédita

Cidadão Quem

Não faço nada,
Que alguém não tenha feito não,
Não falo nada,
Que alguém não tenha dito então,
Não penso nada,
Nosso futuro é imprevisão,
Alguém me dê a mão,
Nessa calçada,
Vejo que os anos vão chegar,
E cada pegada,
Me mostra um jeito de encontrar,
todo esse nada,
Com medo de se machucar.
Porque tudo isso então?
Se não há nada,
Porque todos temem perder,
Todo esse nada,
Será vontade de viver,
Na mesma casa, na mesa que reparte o pão,
Por isso tudo então.
Quem é você?
Que se esconde, atrás de um nome qualquer,
Não aparece pra mim,
Estende a mão,
Trazendo a chuva,
Tocando o som do trovão,
será que vamos saber?

Adoro essa música, tem uma das letras mais legais que eu já ouvi. A pergunta central é algo que quase chega a me provocar uma certa agonia: "Quem é você? Que se esconde, atrás de um nome qualquer".
NOME. Está aí uma das palavras mais complexas no sentido filosófico. Como se dá nome para alguma coisa? O que é um nome? Qual o conceito mudo que existe por trás de um nome?
O mundo é o caos. De fato, esse é um pressuposto bastante duvidável, mas que para olhos mais atentos é perfeitamente plausível, já que desde sempre o universo que o homem observou foi uma profusão sem fim elementos misturados sem ordem nenhuma. No meu ponto de vista incongruente, toda a ciência desenvolvida para "dar ordem" ao universo não passa de uma forma de maquiar o caos. O caos é a força mais primitiva, que criou tudo, e ele é indissolúvel e eterno. O que o homem tenta é extrair algo, mais sua imensidão e complexidade vão muito além do que o pobre ser humano será capaz de imaginar.

Mas ora, que diabos essa balela toda tem haver com nomes? Pois bem, usei esse exemplo porque a melhor definição de nome que eu já ouvi foi de José Saramago (Descanse em paz mestre!) em uma entrevista: "Nomes nada mais são do que uma tentativa frustrada de se pôr ordem ao caos." Achei isso genial, e profundamente verdadeiro. Muitas vezes a essência das coisas é perdida em razão de uma denominação equivocada; isso soa metafísico e razoavlemnte sem sentindo, mas de alguma forma, um conceito perde seu sentido verdadeiro quando damos a ele um nome para nossa comodidade, para que não precisemos desenvolver uma tese mais completa e simplesmente usar uma única palavra catalisadora. Porém, essa catálise pode não ter o efeito desejado, pondo fim numa ideia toda.

Na minha opinião, a pergunta mais complexa de todos os tempos que o ser humano já fez é: "Quem é você?". Convenhamos, alguém conseguiria responder essa questão sem começar pelo seu nome? A ideia de nome é algo intrínseco no ser humano, que viveria até hoje em cavernas se não conseguisse da-los às coisas que o circundam. E ainda mais consigo mesmo, ter um nome é uma forma de ser único, de se diferenciar em meio à massa. Mas não sei até que ponto essa afirmação tem coerência e exatidão. A resposta para a questão de quem se é vai muito além do que simplesmente uma denominação, e portanto novamente chegamos ao ponto de que um nome pode acabar com um contexto, diminuindo a essência primária do ser e mascarando o que realmente possamos ser, algo que não pode ser visto por trás das aparências e das comodidades.

Nomes são importantes, obviamente, não seria idiota o suficiente para querer negar isso, já que viver em meio aos caos não seria a coisa mais interessante do universo. Mas de qualquer forma os nomes são usados da forma errada. O ser humano não conseguiu fazer de sua capacidade intelectual algo realmente concreto, que poderia analisar as coisas em geral mais profundamente; o que aconteceu foi apenas a mania de facilitar as coisas a níveis mínimos, que mal exigem esforço intelectual e sim apenas algo de boa memória.
O homem deveria sempre estar buscando conceitos que vão além do óbvio, que não sejam escancarados e limitados por designações inventadas e sem muito embasamento filosófico.

De alguma forma acabamos caindo naquelas antiquíssimas questão que permeiam a existência do homem: "De onde viemos?" "Para onde vamos?" e blá blá blá... mas a pior de todas, mais instigante e que provoca devaneios mais absurdos é a "Quem somos?". As possibilidades metafísicas, científicas, religiosas, esotéricas e místicas são praticamente infinitas. E todo esse universo sem fim que existe dentro da mente de uma pessoa não deveria ser tão condensado como é quando se usam nomes de forma errada.

2 comentários:

Rafael disse...

Taí uma questão interessante e pouquíssimo abordada .-.
Belo texto, man

Bard disse...

É uma coisa que podemos debater pra sempre, mesmo não sabendo nem se existimos... Eu ainda acho que vivemos a nossa inexistência, pq nada faz sentido, só pensar no formato da letra "A" ... :/ tem sentido isso? Pensar que a gente tá aqui na Terra, um lugar tão pequeno se comparado ao Universo todo... é um grão de areia no deserto, e se vc não vê aquele único grão é como se ele nao existisse, portanto.. :)

Texto foda \o