sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Roteiro do meu Réquiem

Lá vou eu de novo parodiar títulos de músicas. Mas estou nem aí, adoro fazer isso.

Réquiem é uma palavra que me é muito interessante. Tem uma sonoridade única e representa com simplicidade toda uma vasta gama de sentimentos relativos à morte, luto e pesar. É pesada, sombria, e remete mais do que simplesmente um velório, onde uma família mantém acesa a chama constante da hipocrisia civilizada da sociedade huamana.

A morte é a única certeza que temos em vida. Parece mórbido e deprimente, mas é verdade. Paremos para pensar e chegaremos a essa conclusão. O futuro é um mistério absolutamente indecifrável, e simplesmente não temos como saber se continuaremos a viver amanhã, depois ou até quando for.
De fato não tenho como entender o medo tão profundo que se tem da morte, que é algo sublime, apoteótico (Sim, um exagero, já que o significado dessa palavra não ter absolutamente nada a ver com essa história toda, mas azar) e porque não, dependendo da situação, glorioso.

A passagem da imensa maioria das pessoas sobre a terra é irrisória, insignificante e que passa despercebida. Por isso morrer não deveria significar nada de horrível, já que vivendo ou não nunca seremos nada de relevante. Ponto de vista totalmente pessimista esse, eu bem sei. Mas nessas horas não adianta em nada aquelas histórias de cada um é importante, que tem seu papel, seu destino, seu motivo de existir e afins.Na hora de morrer viramos tão somente mais um na multidão. E bem por isso creio que a morte deveria ser a coisa mais esplendorasamente pessoal  que possa existir. Nossa irrelevâcia perante é história é factual, porém nós mesmo sabemos que existimos e que fizemos alguma coisa em vida, logo, poderemos sem pesar na consciência, glorificar nossa própria extinção física.

E entrando nessa seara, fico fantasiando um roteiro para o meu próprio réquiem. Não serei santo, Papa, Presidente, ou mesmo alguém importante, e por isso não imagino uma multidão chorando minha irreparável perda. No máximo meia dúzia de amigos fiéis, familiares que restarem e um e outro curioso que sempre aparece nessas horas.
Tudo começa com os pressentimenrtos. Depois os conformismos e os primeiros sentimentos de saudosismo.E quando a inefável hora vem, nada a de se fazer se não entregar-se aos braços frios da morte. Sem velórios demorados, uma breve vigília e nada mais. Eu sou um nínguem, e como nínguem desaparecei num sepultamento discreto num cemitério charmoso de algum fim de mundo.

Devaneios absurdos, com certeza. Mas são devaneios reconfortantes, que me põe diante da incontestável verdade da insignificância perante a existência. Sou apenas mais um que enfrenta suas batalhas buscando a utópica Terra Sagrada da realização. Somente mais um dos cruzados dos tempos modernos que sai por aí sem saber o porque de fazer isso, que age tentando entender as razões, mas no fim das contas não passa de um mero caçador de sombras, sombras essas que pairam por mundos irreais querendo ser verdades. Muitas vezes a redenção vem tardia, onde pedaços do tempo se espalham pelos meandros da memória  empurrados pelo soturnos ventos de qualquer ideia parecida com destino.
Mas convenhamos, quem não se engana durante a vida, não passa por remorsos quando se está perto do fim. Aproveitemos a vida para mais tarde morrer de consciência leve.

A vida é bela para quem sabe viver. Pensar em deixar a vida não é simplesmente morbidez, é apenas encarar a verdade sem ressentimento ou culpa. Nada é eterno, os ciclos se renovam, e o tempo de cada coisa se esvai, para dar lugar a outra. Talvez a única coisa eterna seja o tempo, com toda sua metodologia mística e criptográfica, que nos submete a seus caprichos sem dar qualquer chance.

Conformismo não é o fim do mundo. Nunca se sabe a hora que ela vem, mas deve-se viver o melhor possível, para quando a senhora morte vier, simplesmente sorrirmos e pegarmos em sua mão e ir para a eternidade.

Um comentário:

Bard disse...

Discordo um pouco, nao acho que a vida é bela pra ngm.. apenas aparecem uns e outros que fingem que tão de bem com ela, mas qdo estao sozinhos sao os que ficam em pior situação.

Agora, de uma coisa vc está certo, nao importa qtos chorarão por quem, depois da morte somos todos iguais.