quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2012, Fim do Mundo, bobagens e afins

Alguns dias atrás estive na biblioteca da minha escola e por acaso acabo me deparando com uma revista "Mundo Jovem" de 1997 com a seguinte matéria de capa: "Ano 2000, será o fim do mundo?"

Não tive como não achar graça. Coicidência curiosa com o que vivemos nos nossos dias atualmente, só pensando neste profético 2012. Em 1997 eu tinha 5 anos, e ouvia histórias tenebrosas sobre o fim do tempos e via um monte de gente desesperada. E em 2000, aos 8, não vi nada ade anormal acontecer (Bem por isso talvez esteja escrevendo isso agora). Pois bem, e parece que vejo o mesmo filme de novo: escuto histórias assustadoras, teorias, possibilidades e muita especulação sem fundamento.

Obviamente que dou boas risadas disso tudo. Mas por outro lado paro para pensar o que leva as pessoas a se apegarem tão fortemente a essa ideia quase mórbida de fim de mundo. Não entendo muito bem o motivo disso. Na Idade Média o aspecto religioso foi um excelente motivo, já que a alienação católica medieval foi algo muito profundo na sociedade daquela época, aliada a interpretações dúbias da Bíblia (Um livro dúbio por natureza e que é cheio de mistérios mas profundos do que os pregados pelos pseudo-sacerdotes de todas as religiões contemporâneas). Sim, isso na antiquada Idade Média, mas hoje, o que leva a essa fobia absurda?

Vá se saber. Bela pergunta sem resposta. Mas mesmo sem encontrar respostas, nós podemos nos dar ao luxo de divagar quanto às questões e chegar a ideias verossímeis porém sem provas concretas.

Um fato inegável é que o ser humano é místico. Muito místico, querendo ou não. Desde seus primórdios mais ancestrais, o homem vem se vendo de frente com coisas que vão além do seu conhecimentos, temendo-as e respeitando-as (a ideia de sagrado e divindade, de certa forma). Esse misticismo acompanhou todas as sociedades, vertendo-se em religião ou antítese a ela, essa última possibilidade seria mais relacionada a interesses pessoais nada transcendentais. E como nos povos antigos a religião era uma das partes inerentes da sociedade, todas as previsões e observações que envolviam astronomia, astrologia e misticismo, eram muito levadas à sério.

NOTA: Me refiro a sociedades e povos antigos porque as religiões modernas (entendesse judaísmo , cristinanismo e islamismo) se utilizam dos conceitos místicos da forma mais errônea possível, distorcendo seus valores e pensando mais em interesses meramente humanos, enquanto que mas civilizações mais antigas e distantes disso, a religião tinha um papel mais próximo das pessoas, fazendo uma ponte muito mais estreita entre os homens e os deuses.

Portanto chego ao ponto que me interessa dissertar. Uma das sociedades mais notórias em previsões catastróficas é a Maia. Segundo seu calendário super tecnológico (para um civilização de 10 mil ano é) no ano de 2012 o mundo se acabaria. Bem, isso no imaginário popular e nos livros dos estudiosos sensacionalistas. O que de fato está registrado naquelas milenares escrituras e predições, é que esse ano seria tão somente o fim de um ciclo e o início de outro. E lá vamos nós de novo com a morbidade de logo associar isso a um fim dos tempos. Esse conceito maia de ciclos que se renovam faz todo o sentido, já que se observarmos com um mínimo de atenção o mundo que nos cerca, veremos que tudo é cíclico: as estações do ano, as fases da lua, um ciclo menstrual, os anos.... A vida se renova em ciclos, tudo é ciclíco, tudo é circular; e a morte, é tão somente uma consequência da vida.

Então temer a morte no fim do mundo é pura tolice, uma imensa bobagem. A alienação cristã se apoia na relação merecimento-salvação, que absolutamente distorcida em detrimento a mais uma vez interesses (De novo eles...) baixos e mesquinhos, manipula as pessoas a serem fantoches, plantando-lhes sementes de medo, arrebanhando fiéis pelo terror e falsas promessas de salvação.

E aliás, nem o nosso cristão e tradicional Apocalipse é corretamente interpretado. Nos ensinam nas aulas de catecismo que o Apocalipse é o fim dos tempos, o Julgamento Final onde os ímpios pagarão por seus pecados e os infiéis arderão no fogo do inferno e outros blá blá blás. mas o que pouca gente sabe, é que a palavra Apocalipse em grego significa revelação. Convenhamos, de fim do mundo para revelação temos uma distância interpretativa considerável.

Todos as culturas tem o seu fim do mundo. O Ragnarock nórdico é um exemplo interessante. E de certa forma, tudo isso tem um cerne comum: o fim de uma era e o começo de outra. Novamente essa ideia circular, que de tão repetida, em culturas diferentes e completamente isoladas umas das outras, não pode deixar de ter alguma coisa de verdadeira.

Esse nosso mundo e suas bobagens que povoam programas de televisão que querem bancar os intelectuais.... No fim das contas, rimos.

Um comentário:

Bard disse...

Não li o suficiente da Bíblia pra poder dizer algo, me identifico bastante com a religião católica embora nao frequente a igreja.

O medo da morte é extremamente comum entre os religiosos, algo realmente paradoxal.

Mas pense, se os ateus nao acreditam em nada (em termos), pq nao matam quando tem vontade e nao se suicidam? será que são tao frios a ponto de ver o que acontece e continuar vivendo, sendo que pensam que poderiam tirar a propria vida sem nenhuma coisa ruim os acontecer por isso?

Tbm não estudei profundamente teologia, filosofia, fisica quantica, ideologias antigas, nem nada pra poder opinar sobre o medo da morte ou o fim do mundo.

Então, nem vou poder opinar sobre esse artigo, rsrs..