sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma tarefa de Ensino Religioso

O texto a seguir foi um trabalho de Ensino Religioso. Nossa professora leu algumas matérias sobre pedofilia na Jordânia e a Mutilação Genital Feminina na África.




"Mutilações, pedofilia e tradições machistas sem sentido

Definitivamente o mundo não para de me surpreender. De fato já tinha tido ouvido falar vagamente destes temas, principalmente em programas de televisão ou documentários; porém tudo muito superficial, e que não entrava a fundo no cerne da questão. Mas nessa última aula quando ouvimos com uma riqueza absurdamente grande de detalhes histórias a respeito de pedofilia aceitada socialmente e a mutilação genital feminina, me senti caindo num vácuo de nojo e revolta, indo então fundo mesmo nessa conturbada cultura humana que se desmembra em tantas ramificações distintas. Além da revolta e do nojo, veio junto uma sensação pesada de pasmo, de incredulidade, de não conseguir acreditar que alguem fosse realmente capaz de fazer monstruosidades tão grandes contra seus semelhantes.

São costumes, defenderão-se eles. Mas que diabos de costumes são esses? Costumes que beneficiam tão somente o sexo masculino, que teria então o direito de ter uma esposa criança ou de uma esposa mutilada que proporcionaria-lhe mais prazer enquanto que esta não sente absolutamente nada de bom, tão somente a dor, a amargura e a tristeza de uma vida tão ruim. Tudo acaba se resumindo em machismo, a dita sábia cultura milenar não passa de uma invenção do homem, verdadeiramente mais forte fisicamente que as mulheres, para que pudesse satisfazer seus desejos mais baixos apoiados por uma lei irrevogável e inquestionável, herdada por antepassados e que por obrigação cultural deve ser mantida e perpetuada.

Eu não posso ir contra a cultura, em hipótese alguma, seria uma erro crasso e primário, idiota e que não levaria em consideração grandes feitos positivos da humanidade. O que me revolta são os costumes criados por interesse, por mesquinharia. O ser humano não faz por merecer o intelecto que desenvolveu ao longo das eras, pois se fizesse o uso adequado de suas faculdades mentais, jamais se rebaixaria a esse tipo de brutalidade que seria aceitável num animal que existe unicamente e exclusivamente seguindo seus instintos primários. O intelecto deveria levar a níveis altíssimos de consciência e humanismo; mas nunca foi isso que aconteceu, pois o raciocínio foi deturpado cretinamente, empurrado por caminhos tortuosos iniciados em conclusões errôneas. E talvez uma dessas conclusões infelizes tenha se dado no momento em que o homem descobriu que poderia ter prazer tirando proveito de outros semelhantes. E após isso, se deu uma interminável linha de abusos, violência e irracionalidades.

E uma outra coisa que me deixa pessoalmente entristecido, é ter a certeza de que nada disso irá mudar. Tantos os casamentos de homens adultos com meninas de não mais de onze anos, tanto a mutilação genital feminina, tem o aval tanto sócio-cultural quanto político. Esses ideais de dominação masculina estão tão enraizados na mentalidade destes povos, que nunca irá passar por suas cabeças a possibilidade tudo isso ser criminoso, atroz e bárbaro.

De certa forma, o abuso acabou se tornando uma instituição humana. O símbolo da virilidade, do macho dominador e da mão pesada que pune as transgressões. Foi através dele que povos ascenderam e caíram, sociedades tiveram apogeus e momentos de trevas, e a civilização se constituiu em cima de um único e irrefutável ideal, que não muda nas mais distintas culturas: O de que os homem é superior e merce todos os prazeres que quiser, enquanto que a mulher não passa de um animal um pouco mais desenvolvido que os demais e que deve zelar e cuidar dos assuntos domésticos e satisfazer seu homem.

Essas leis milenares não estão contidas em nenhum código ou constituição, mas fazem parte de uma legislação muda e apócrifa, que se sucede sem escancaramentos há muitas e muitas gerações. E exatamente por isso que esses casos tão extremos do oriente deixam nós ocidentais embasbacados de maneira tão profunda; pois tratamos mal nossas mulheres de um modo tão menos cruel, que uma barbárie dessas soa tão calamitosa. Bem, acredito nunca ter escrito uma frase tão estranha em toda minha curta vida como essa última, pois de fato é estranha, mas não deixa de ser verdade por causa disso: O homem ocidental também domina, tiraniza e diminui o valor da mulher, porém em níveis menos gritantes e absurdos. E ainda mais que nas últimas décadas a mulher do ocidente conseguiu grandes vitórias em vários campos da sociedade. Só que isso é um outro tema, e não cabe aqui.

Ora pois, divagar e divagar não vai levar nínguem para qualquer lugar. Empilhar palavras e ideias não vai mudar em nada a situação enquanto se permanecer mudo diante de tantas atrocidades. E como eu não posso fazer mais nada do que simplesmente falar, me calo por aqui, esperando que em algum dia, alguem que realmente possa fazer algo, comece a mudar essa situação. "
Sobre casamentos pedófilos no mundo islâmico:
Sobre Mutilação Genital Feminina:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mutila%C3%A7%C3%A3o_genital_feminina (Se procurarem fotos, vão achar imagens muito fortes.)
São questão delicadas, mas que pelo menos para mim causaram muita revolta.

2 comentários:

Bard disse...

Primeiro que eu não vi os links. (é, sou fraco).

Agora, pense na data desse post e tudo que já aconteceu no mundo.
Hoje você nao teria dito "nada vai mudar", mas "tudo vai piorar".

Só olhar um pouco para o que anda acontecendo aqui no Brasil mesmo pra ter certeza.

Aí entra numa das questoes de eu nao ser totalmente indiferente às religiões, pq elas seguram um pouco a violência, se me entende.

Tudo isso me lembra bem essa musica:

http://letras.terra.com.br/sonata-arctica/37423/traducao.html

I had a nightmare
The Wolf eating The Raven
Entrails of life on my plate
And I ate 'em.

Emy disse...

Belo (no sentido de bom, claro) texto Júlio! Me assusto sempre que penso na diferença entre Ocidentais e Orientais por exemplo. É tudo tão enraizado que consigo entender como certas coisas para eles não parecem tão horríveis...

Me sinto sempre super impotente quando leio sobre atrocidades por aí! Fico pensando o que me resta fazer pra tentar "melhorar o mundo".

Acabo só por entristecer-me e sei lá, usar menos água enquanto escovo os dentes.