domingo, 6 de março de 2011

Hedonismo carnavalesco

Bem, não é difícil de imaginar que eu seja do tipo de sujeito que não vai muito com a cara do Carnaval.

Pontualmente, não tenho nada contra o fato das pessoas se divertirem durante esses dias de foolguedo e adjacências; as pessoas são livros para fazerem o que melhor acharem, e se  isso as faz sentir-se bem, que o seja. O que realmente me chama a atenção nestes festejos tão caracteristicamente brasileiros (que factualemte ocorrem pelo mundo todo, mas que são mais acentuados em nossas terras tropicais, é o hedonismo ensandecido, que é de certa forma intrínseco à cultura popular e ainda por cima vendido intensamente pela mídia.

Historicamente o que se convenciona chamar de Carnaval surgiu pelos idos medievais, em certos dias do ano onde as rígidas e tiranas leis clericais eram afrouxadas, deixando o povo solto e com total liberdade de festejarem ao seu bel prazer.
Sabendo o quão era reprimida aquela sociedade, pode-se supôr a quantidade absurda de insanidades que ocorriam nesses dias festivos, onde todos os impulsos enclausurados pelas leis morais e religiosas eram expulsos sob a forma do mais completo pandemônio.
E nos séculos que se seguiram a situação não mudou muito profundamente. Se analisarmos o "formato" do Carnaval contemporâneo, onde a ideia principal fica em torno das escolas de samba, dos blocos de rua, trios elétricos e afins, o que vemos é a quebra absoluta dos padrões que são geralmente tidos por morais. A nudez é permitida, a promiscuidade é bem vista, os abusos e excessos são o objetivo principal. E a dignidade, bem, fica hibernando até a quarta feira de cinzas.

E assim como na Idade Média, nós brasileiros do século XXI vivemos numa sociedade absolutamente opressora. Bem menos explicitamente, diga-se a verdade, mas que sufoca tanto quanto. Somos um país de ideologia retrógrada, repletos de preconceitos e falso-moralismo. Veem-se com maus olhos negros, homosexuais, nordestinos, as classes baixas e vários outros alvos de hipocrisia.
Mas vejamos só, no tão amado Carnaval se veem homens vestidos de mulher, pessoas brancas pintadas de preto, sulistas trajando-se de nordestinos ou fazendo graça com as manias dos pobres e favelados. Por que tudo isso não poderia ser aceito no ano inteiro e não somente em 4 ou 5 dias desvairados em meio ao causticante calor dos trópicos?
Sinceramente, acredito que se veste de mulher no Carnaval é porque gosta disso e não tem coragem de fazer isso ao longo do ano por causa da dura repressão da sociedade em geral com relação a isso.

Não sou da filosofia do hedonismo. Não, não mesmo. Não que eu ache que ter prazer e se divertir esteja errado, muito pelo contrário, é algo fundamental pra ter uma vida saudável. Minha implicância é com os excessos. Seja excesso de bebida, de sexo descompromissado, má alimentação, barbaridades no trânsito ou qualquer outra decorrência do hedonismo sem limite que se vê nessa época do ano.
 Já disse uma vez que considero limites importantes. Não digo se submeter a tirania ou virar um eremita asceta,  mas apenas ter o bom senso de saber quando parar, para que o divertimento possa ser prazeroso sem se tornar apenas uma ressaca desprovida de boas lembranças no dia seguinte.

Enfim, essa conversa furada não adianta patavinas, e por isso paro por aqui. De qualquer forma, desejo um bom Carnaval pra quem estiver lendo este emaranhado de bobagens ;)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os ideais dos outros

Esses dias vi um ótimo filme sobre os últimos meses de vida do mestre da literatura mundial Leon Tosltói, chamado "A Última Estação". Não é um filme brilhante, definitivo ou revolucionário, é bem simples até, sem muita pomposidade e afins, mas tocante, profundamente humano e verdadeiro.

Como já disse,o filme narra os últimos meses de vida de Tolstói, dando bastante enfoque em toda a doutrina que ele desenvolveu já na velhice, apregoando o amor ao próximo, o desapego aos bens materias cumulativos, a igualdade e a valorização da vida como o maior dos presentes de Deus. De fato, Tolstói sim pensou nestes belos ensinamentos, porém seus seguidores, os chamados "tolstoianos", achavam que ele era um santo, imaculado e livre de qualquer imundice mundana, de certa forma distorcendo o que mestre ensinara. Dessa forma, se tornam inflexíveis, obrigando os demais seguidores a seguirem rigidamente o "modelo" de vida idealizado pelo mestre, mesmo que isso causa angústia, temor e infelicidade. Ao longo do filme se vê a faceta absolutamente humana e mundana de Tolstói, sob o ponto de vista de um jovem secretário, e se entende com a maioria das doutrinas acaba sendo deturpada por seus seguidores.

Ao final do filme fiquei pensando em quantos exemplos não temos de coisas assim, onde doutrinas muito bem intencionadas acabam sendo modeladas por interesses meaquinhos. Peguemos por exemplo o comunismo idealizado por Karl Marx: na teoria, uma maravilha, onde existe igualdade e não existe necessidade. Mas o que houve na prática em todos os países que adotaram o comunismo? Ditadura, violência, repressão, dor, medo e as camadas mais pobres ainda sofrendo dos mesmos males de antes.
O ser humano tem essa curiosa capacidade de fazer uma coisa boa se tornar algo horrível. Interesses baixos, mesquinharias, fanatismo, cegueira e intolerância fazem com que as melhores ideias sejam usadas como artifícios para se obter vantagens sobre quem já explorado. Temos aí uma igreja que faz isso com  maestria há uns 2000 anos....

Ser humano em geral é sádico e cruel, e não se importa em explorar os mais fracos. Na maioria das vezes que faz isso são os tolos  iletrados, que foram privados do direito de obter o conhecimento que os faria serem pessoas mais honestas e justas. Mas muito pior que isso, mas muito mesmo, são os letrados, versados em artes e ciências, que mesmo com todo o lastro cultural que possuem continuam sendo mesquinhos, baixos e cruéis, usando-se do conhecimento para subjugar. E são esses os que mais infamemente distorcem ideais, quase sempre deixando o idealizador profundamente decepcionado e sentindo-se mal.

Infelizmente bons ideais não funcionam e não levam a lugar nenhum. No mundo, desde sempre, é preciso saber usar artimanhas da política para se obter algo útil de governantes e gerentes, justo estes que por obrigação deveriam fazer o melhor possível pelo bem da sociedade sem se usar de maquinações e jogos de interesse.
A revolução, se que algo desse tipo possa realmente acontecer, jamais seria numa batalha épica e heróica que mudaria o rumo das coisas da noite para o dia. A mudança há de ser lenta e gradual, com a conscientização vindo aos poucos, de geração em geração, nos pequenos atos do dia-a-dia; na educação, na divulgação ampla e plena do conhecimento, sem barreiras, sem interesses ocultos, sem manipulações de massas.

Não vai ser uma pessoa com uma ideia genial na cabeça que vai mudar o mundo. Isso é utopia. Todos nós, juntos, é que vamos. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Big Brother

Todo mundo que tem conta no twitter vem observado nos últimos dias algo que eu consideraria parecido com uma guerra. Uma guerra entre quem ama e quem odeia o reality show Big Brother Brasil exibido pela toda poderosa vênus platinada.
Em meios virtuais do tipo do twitter ou mesmo outras redes sociais, geralmente, tento manter-me fora de qualquer tipo de discussão desse caráter; logo, omito-me de comentar tal programa televisivo. Trago para cá minhas impressões a cerca desde produto.

Sim, produto. Qualquer coisa veiculado por uma emissora de televisão é um produto, que visa retorno finaceiro. Isso não deve ser encarado em todos os casos como algo ruim, já que querendo ou não tudo tem custos de produção, para manter não só a atração mas também o veículo em si. Mas no caso especial do Big Brother, a concepção de produto fica ainda mais acentuda.

Muitos creem que o programa seja armado e que isso e aquilo. Pessoalmente, não acho exatamente isso. Na minha opinião o programa é direcionado e manipulado, não no sentido de já ter um roteiro pré-definido e desde logo haja um vencedor escolhido. Isso já se nota na escolha dos participantes. Cada um deles é quase que cientificamente analisado, para que preencha pré-requisito já definidos pela produção, para que haja acontecimentos previsíveis dentro da casa. Em suma: procuram por esteriótipos que ajam de uma maneira que causem os conflitos que tanto interessam os telespectadores.
Tem mulheres muito bonitas, homens malhados, metidos a engraçados, gordos, magrelos, pessoas de sexualidade dúbia fronte ao preconceito da sociedade e vários outros tipos contrastantes colocados para brigarem.

É curioso analisar o interesse quase doentio das pessoas em geral de observar outras pessoas reclusas. Alguns dizem que é apenas realidade focada num ponto específico. Eu diria que não, apoiado nos argumentos acima. Logo, temos um produto feito perfeitamente para saciar o Voyeurismo da população em geral, que fica "fascinada" com aquilo tudo.

Eu não vou bancar o cult que fala mal de BBB mas que fica olhando todo animado, mas critica pra fazer pose. Já faz pelo menos dois anos que não demonstro o menor interesse nesse programa, por isso abstenho-me de assitir e não teço comentários sobre a edição recente em lugar nenhum.
Ao que me parece, a internet dos dias de hoje é 8 ou 80. Ou você ama ou você  as coisas. O sujeito que ignora, que não dá a mínima para a "moda do momento" ou mesmo para algum tema específico, é hostilizado.

Como disse no começo, é uma guerra. Quem gosta de Big Brother é chamado de idiota, alienado e sem cultura. Quem não gosta é alcunhado de pseudo-cult com síndrome de underground que gosta de aparecer por ser diferente. Por essas e por outras que eu prefiro manter silêncio e ignorar, já que qualquer que seja sua opinião você é chamado de alguma coisa nada amistosa.

Enfim, deixe-se que o programa preencha pautas de programas vespertinos decadentes. Também não olho eles.




E por falar em Twitter, segue aí @jagutheil :~

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Bisturi e o Sucesso

Última madrugada. Como de costume, dificuldade em pegar no sono. Estando farto de fantasiar diálogos que provavelmnte nunca acontecerão, ligo o rádio e fico ouvindo o programa "Brasil na Madrugada", da Rádio Gaúcha. Nele se debatia o atual cenário do mercado da cirurgia plástica em nosso país.
Mas o que de fato mais chamou minha atenção foi uma constatação feita por um cirurgião que neste meio é bem conhecido, mas que eu realmente esqueci o nome: a grande maioria das pessoas que procuram clínicas que fazem cirurgias plásticas querem ficar parecidas com alguma pessoa famosa.

Ok, isso não é novidade nenhuma, já que é algo veiculado massivamente na mídia. Mas o que de fato me deixou surpreso foi algo que ele disse depois: "As pessoas querem ficar com partes do corpo parecidas com as de pessoas famosas porque nessas pessoas elas identificam e visualizam o conceito de sucesso. Em geral, assimilando-se a esses 'famosos', as pessoas comuns creem que possam conseguir o mesmo sucesso."

Talvez essa seja uma constatação óbvia feita pelo médico, mas fiquei de fato perplexo ouvindo aquelas palavras.

O ser humano desde sempre tenta observar aspectos e características que indiquem sucesso, seja para copia-las e igualmente obter sucesso ou, no caso instintivo de perpetuar a espécie, conseguir um parceiro ideal. E isso também se aplica a grande maioria dos seres vivos que andam sobre a terra. Logo, como já mencionado, é algo que parte do instinto mais primitivo, do lado irracional do homem.
Só que daí eu me pergunto porque o homem se acha tão racional, tão dono de seus atos, tão superior se se deixa levar por instintos dessa natureza? (Existem vários tipos de instinto, mas me apego nesse, já que dissertar sobre outros não caberia nesse momento).

Mas me ocorre uma possibilidade hipotética: aliado a esse instintivismo, temos a pressão massiva e impactante da mídia, que cria esteriótipos de tipos vencedores, que tem um padrão físico e estético, de personalidade e atitude, que a esmagadora maioria da população alienada compreende como seja o tipo que consegue sucesso, e quando não se é daquele tipo pré-estabelecido, se está fadado ao fracasso.
Portanto, temos uma lastimável soma de instinto primitivo e desnecessário (dado nosso suposto nível intelectual) com a típica alienação midíatica causada por interesses de corporações de todo tipo, numa cadeia de manipulações intrincada e cheia de ramos.

Na minha irrisória opinião, o simples fato de pretender conseguir um algo mais tentando tornar-se parecido com alguem já conseguiu, por si só é um auto-desmerecimento gigantesco. Acaba-se negando a si mesmo, assinando um atestado de inferioridade, algo muito mais auto-depreciativo do qualquer pessoa de baixa-autisma crônica seria capaz de fazer.


Não vejo motivo plausível para crer tanta intensidade que seguindo um padrão há de se obter sucesso. Existem duas coisa infinitamente mais poderosas que um bisturi para atingir seus objetivos: talento e determinação.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um ano para esquecer

Enfim, 2010 vai nos dando adeus. Para este que vos fala, foi um dos piores anos no âmbito pessoal com certeza absoluta. Nunca tinha conseguido reunir tantos fracassos, tantas frustrações e desperdiçar tantas chances incríveis como neste fatídico 2010.

Olho para trás e vejo que praticamente joguei um ano de vida fora. Não fiz nada de útil, e quando tentei, fracassei vergonhosamente, escancarando todas as minhas fraquezas, os meus medos, me obrigando a rever quase todos os meus conceitos que tinha sobre mim mesmo. Me acostumei com o gosto amargo da derrota, do escárnio dos próximos, com as indiretas e com toda a hipocrisia, que talvez seja o que mais dói.
2010 foi o ano em que as minhas neuroses foram mais intensamente atuantes, em todos os aspectos possíveis; foi o ano em que eu mais perdi tempo pensando com fervor, e lógicamente por isso foi o ano no qual mais me torturei e fiquei deprimido, já que o dom de pensar racionalmente é o maior provedor de sofrimento, de angústia, de tensão. Não sei se é uma frase de alguem que ouvi por aí, ou se brotou dos confins escuros da minha mente doentia, mas "Quem pensa sofre".

O alienado pode ser feliz com mais facilidade do que o que vê e pensa o mundo em escala maior. Ele não liga se alguém está morrendo de fome na Somália, de aids em Uganda, sendo morto nas guerras cívis do Oriente Médio ou perecendo em degradação na miséria das ruas das grandes cidades do Brasil. O alienado ignora as mazelas e vive no seu mundo, no qual tudo é perfeito e o único objetivo é se satisfazer, encaminhando assim felicidade, mesmo que seja falsa.
Eu jamais conseguiria ser assim, e muito menos depois de tudo pelo que eu passei nesse ano que está terminando. Aconteceram tantas tragédias pelo mundo, terremotos, erupções vulcânicas, furações, tempestades, genocídios, fome, doenças que carregaram embora milhões de vidas de pessoas que não tinham como escapar. Não se pode fechar os olhos quanto a isso. Esse tipo de coisa perturba demais quem pensa, quem é domindado pelas neuroses. Como qualquer ser humano com um mínimo de consideração por seu próximo, sempre senti um aperto na garganta ao ver desgraças tão grandes, onde a vida é desperdiçada em torrentes, mas depois de passar um ano de tormentos mentais, com tantas coisas me perturbando, passei a sentir ainda mais essas coisas, numa comoção mais intensa, com a sensação de que a vida ao mesmo tempo que é uma graça pode ser uma maldição, cruel e injusta.

Bem, tenho a impressão de que esse discurso todo não tem o menor sentido. E de fato creio que não deveria ter, já que o que eu mais quero agora é simplesmente falar e falar, sem me preocupar lá muito com coêrencia. Não sou nenhum portador da verdade, nem nínguem que dê conselhos ou tenha a fórmula para salvar o mundo; muito longe disso.

Desperdiçar chances foi o que eu mais fiz com toda a certeza. Não vou entrar em detalhes porque isso não vem ao caso, mas o que importa é que é muito causticante o remorso e a dúvida que ficam depois de não ter tentado, seja lá o que for.
Já me disseram que é um defeito meu muito sério achar que sempre a culpa é minha. Mas como eu não achar isso se é sempre mesmo minha? Eu estrago tudo o que eu consigo. Sou um perfeito idiota. Com amigos, com estudo, com trabalho, com tudo mesmo. Sou um fracassado completo e irrepreensível, cuja sina vai ser de amargar uma queda após a outra, e nos fim das contas acabar se conformando com tudo aquilo que queria evitar, fugir, deixar para trás. Dia após dia eu venho tendo mais certeza disso tudo.
Mas eu não vou desistir, se é para fracassar, que se facasse tentando, porque eu não consigo mais conviver com a sensação de ser um covarde.

Perdi de vez a confiança dos meus pais. Cada ato meu, cada coisa que eu digo, qualquer coisa, eles olham com desconfiança, com um pé atrás, me apoiando menos ainda do que antes. Me convenci de vez que a minha família me vê como um peso, como alguém indesejável e descartável.
Decididamente não posso prever como vou ser com os meus filhos um dia, mas o que eu sei, é que vou tentar ao máximo me esforçar para ser compreensivo, ouvir eles, tentar entende-los. Se nós não temos o apoio dos nossos pais, vamos ter o apoio sincero de mais quem?

Mas não posso afirmar que 2010 tenha sido de todo ruim. Fiz alguns novos amigos, e amigos incríveis eles. E junto com os já mais antigos, passei alguns bons momentos, que me deixaram alegre, e por menos tempo que essa alegria durasse, é uma sensação gratificante. Se vocês, meus caros, estiverem lendo essas linhas, saibam que são importantes demais pra mim.

E por fim queria agradecer a uma pessoa em especial. Não vou dizer nome, já que não sei se ela gostaria disso. Essa pessoa mudou minha vida, radicalmente. 2010 me fez mudar bastante, e grande parte disso deve-se a essa pessoa especial. Agradeço por ter feito acordar dentro de mim um lado que no fundo sabia que tinha, mas teimava em deixar de lado, soterrado sobre outras coisas, o lado mais sentimental. Passei tempo demais me achando um sujeito frio, sem entender os sentimentos mais acalorados da vida; só que agora, aos poucos, vou começando a compreender muitas coisas, e me descobrir alguém muito mais sentimental do que poderia supôr até um ano atrás.
Para essa pessoa parafraseo um agradecimento que vi em um episódio de Cold Case que mexeu bastante comigo: "Obrigado por me fazer sentir."

E mesmo que esses novos sentimentos que andam povoando minha cabeça sejam bastante pertubadores e inconvenientes, fico agradecido do mesmo jeito. Se você estiver lendo essas palavras tolas e sem muito nexo, eu te repito o que já tinha dito antes: eu te amo.
Eu não sei o que vai acontecer no futuro, que outras pessoas eu ainda vou encontrar, mas enquanto não encontrar outra pessoa que mexa comigo do mesmo jeito que você mexeu, eu vou continuar te amando, mesmo que isso seja algo que não deveria ser assim.

E pra terminar sobre isso, eu faço minhas as palavras do Paradise Lost em Grey:

"Calling out in shame
Silence engrained
Crying out your name
Something wrong but beautiful, so beautiful"
 
 
 
 
 
 
Enfim, espero que 2011 possa ser melhor. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ser adulto

Ontem a tarde eu estava fazendo uma coisa que   meu pai tinha me mandado fazer. De onde eu estava podia ver perfeitamente o pátio da casa da minha avó, onde meus tios faziam o serviço deles. E numa certa hora chega lá um primo meu de segundo grau que tem a mesma idade que eu, cujo com o qual não troquei mais que três palavras nos últimos dois anos.
Na maioria das vezes eu acredito que o meu pai preferiria que ele fosse seu filho e eu não, já que ele já tirou carteira, trabalha como um escravo, bebe, fala alemão, caça e se sente adulto (inclusive forçando a voz querendo deixa-la mais grossa do que de fato é), enquanto que eu não me misturo bem com os mais velhos, saio pouco de casa, não bebo, sei falar mais inglês do que alemão e gosto de livros.

Bem, isso de fato não me incomoda, já que é habitual. Mas o que me intriga é o conceito que algumas pessoas tem sobre "ser adulto". Observando esse primo meu, o que eu vejo é um comportamento patético e ridículo, de alguém que se faz do que não é para agradar os outros.
Ser adulto por acaso é poder beber e se achar o sujeito mais incrível do universo por ficar de porre? É falar grosso (no caso masculino)? É conduzir veículos motorizados? É conviver e puxar o saco de pessoas mais velhas, mesmo que ela te achem um idiota? Creio que não.
Essas coisas que listei acredito que sejam consequências das suas escolhas na vida adulta, não sua essência. No meu ponto de vista, ser adulto e ter o pleno controle de sua vida, saber o que faz e por que faz, saber e ter como levar sua vida com dignidade.

Muitos adolescentes querem ser adultos apenas pelo lado bom, pelas "liberdades", pelas facilidades e afins. Mas no momento em que é preciso encarar a dureza da vida e as responsabilidades que ser adulto implica, muitos perdem o controle, e se veem perdidos e sem rumo, sem saber como reagir. Ser adulto é muito mais que as aparências, muito mais que a saciação das nossas vontades e prazeres.
Vejo muitos contemporâneos dessa forma, sentindo-se os adultos porque ganham algum dinheiro e com isso podem fazer o que querem, farrear, comprar roupas, celulares e todo o tipo de badulaque ostensivo.
Eu não acredito que a felicidade esteja nisso, já que ostentando bens aos outros você prova coisas para eles, mas o que você prova para si mesmo? Duvido muito que seja uma grande satisfação pessoal ter isso ou aquilo, mais vale que os outros saibam, vejam; mas ter em momento algum é ser, e esses meus contemporâneos que já se acham adultos aos 15, que fazem o que querem quando querem sem regras, infelizmente acabam sendo pessoas muito vazias.

Eu tenho 18 anos e não posso em hipótese alguma querer me considerar adulto. Por razão de minhas seguidas falhas, ainda não consegui dar começo ao meu projeto de vida, ao que eu quero para o meu futuro. faço pequenas coisas aqui e ali, ganho algum dinheiro com o qual posso comprar algumas coisas pequenas e insignificantes, mas que deixam contente. Só que isso não faz de mim um adulto; sou um nada, um moleque ainda, que não consegue ainda dar seus próprios passos sozinho no mundo. Mas ao menos sou sincero comigo mesmo, e não busco me mascarar e me fazer de outra pessoa que não sou para agradar a sociedade e seus costumes. E enquanto que a minha hora não chegar, não me incomodo de dizer que não passo de um mero adolescente.





Creio que estas linhas não tenham sido bem construídas, me soam um tanto confusas e vazias. Mas enfim, não queria ficar tanto tempo sem escrever nada aqui, e mesmo encarando dias bem complicados queria dividir alguma coisa com quem por ventura passe os olhos por aqui.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Aborto

Realmente uma questão muito delicada, que envolve questões morias, éticas e vidas.
Nos últimos meses muito se comentou sobre esse tema, sendo ele usado como arma de persuasão eleitoral; levando muito mais para o lado da hipocrisia religiosa e conceitos ultrapassados do que para a lucidez e a forma como o mundo contemporâneo funciona.

Eu pessoalmente não acho que o aborto seja a melhor saída para uma gravidez indesejada, e portanto não sou favorável ao ato em si que consiste o aborto. Mas por outro lado, sou sim, e muito, favorável pela discrminalização dele. É uma bobagem enorme querer criminalizar a prática abortiva, já que sendo proíbido ou não, a mulher que estiver decidida a faze-lo (Ou mesmo quem obrigue ela a isso) vai fazer, indo atrás das famosas clínicas clandestinas (Aliás, semânticamente o termo 'clandestina' é desnecessário, já que sendo uma prática ilegal, todas são), pondo suas próprias vidas em risco. Além de tirar o direito de viver de uma criança, óbviamente.

Porém, é preciso às vezes colocar-se na posição de quem pensa em abortar. Talvez tão injusto quanto tirar o direito da vida de uma criança, seja despeja-la numa vida miserável, num mundo que não dá oportunidades justas e iguais, onde existe preconceito e segregação de todos os tipos. Com certeza que uma mulher aborta com uma dor enorme no peito, mas talvez para ela, isso seja melhor que não conseguir dar uma vida digna ao seu filho. Claro que esse não é o argumento dos mais concretos e válidos, já que exisitriam outras possibilidades de tal criança ter uma vida melhor, como a adoção, por exemplo; só que em muitos casos a desinformação e a ineficiência das instituições públicas que cuidam disso acabam levando mulheres desperadas a recorrem a esse método.

Acaba sendo muito mais uma questão de saúde pública, já que é possível imaginar quais são as condições das clínicas que fazem abortos. Sujas, mal equipadas, infectas, pondo em risco a vida da mãe também. Com a descriminalização e a criação de uma legislação que regulamente a prática do aborto, o risco para as mães despencaria, obrigando as clínicas a seguirem um padrão de limpeza, higiene e profissionalismo.
Seria melhor assim, mas há um porém nisso. De certa forma há o pensamento: "Em vez de morrerem dois morre um só". Infelizmente essa é a realidade do Brasil, onde apenas se remedia, nunca se previne.

Muito antes de se preocupar sobre aborto, os governantes deveriam se engajar em campanhas massivas de conscientização. E muito além do hipócrita sentido religioso da valorização da vida, que valoriza a reprodução como algo demasido importante, e que parece ignorar toda a quantidade de necessidades que ter filhos implica.
Já disse e não me incomodo em repetir: não sou moralista nem nada, mas vejo o mundo libertino demais. As pessoas fazem o que querem sem se preocupar com as consequências de seus atos. Falta cosnciência, responsabilidade. No dia que o simples ato de usar preservativo numa transa for compreendido e virar algo normal e corriqueiro, já teremos dado um passo gigantesco para acabar com essa conversa toda de aborto.

A vida é o nosso bem mais valioso, e pessoalmente acho errado privar outros seres humanos dela. Mas como existe livre árbítrio e cada um que se entenda com sua consicência mais tarde, precisamos encarar o aborto com mais lucidez e racionalidade do que a partir de dogmas pré-moldados por religiosos, pois a vida é muito mais complexa do que simplesmente viver.