terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Shakespeare e o covarde

Pequena inserção cretina na célebre questão shakespeariana imortalizada na voz enlouquecida do sanguinário príncipe Hamlet: "Ser ou não ser um perfeito covarde? Eis a questão."

De fato essa foi uma heresia imperdoável para com o o grande e sábio dramaturgo britânico. Mas tomei essa abusada liberdade poética (?) tão somente para abordar um tema que tem me tomado um tempo relativamente grande de sessões inútei de meditação e análise: covardia.
O motivo que me leva a escrever sobre isso no momento é irrisório, mesmo algumas pessoas sabendo do que se trata; mas de qualquer jeito, não interessa.

Medo e covardia são conceito bastante distintos um do outro. O medo fez com que a humanidade prosperasse sobre a terra, já que o medo de ser devorado por bestas selvagens fez com que os homens pré-históricos não saíssem de noite de suas cavernas. Medo é primitivo, instintivo, vai além do mero entendimento filosófico ou intelectual. Mas a nossa tão cotidiana covardia é algo mais complexo, que se embrenha no mais íntimo dos compatimentos do intelecto que unicamente os humanos desenvolveram. Óbviamente que uma coisa está ligada a outra, de forma bastante inerente e alguns caso quase que onirica. Um covarde sem medo seria um paradoxo dos mais peculiares.

Mas podemos imaginar que a covardia mundana, que não é a mesma coisa que o medo primitivo e natural, se apoie em fraquezas. Fraquezas ideológicas, morais, espirituais e afins. Somos todos fracos, uns mais outros menos.E é esse nível de fraqueza que compõe nosso cosciente de covardia.
Não vou considerar covardia como medinho de fazer alguma coisa; isso seria frívolo demais. Prefiro imensamente mais imaginar a covarida do relacionamento interpessoal, tanto em ordem física (leia-se violência) quanto de falar e ser. Portanto, gostaria de me ater um pouco na coisa mais difícl para todo o ser humano: lidar com o próximo.

Egoísmo é o carro-chefe da existência, inegavelmente. E Infelizmente, todos os discursos de amor fraternal, disponibilidade ao próximo, desprendimento e humanismo são balela (Salvo rarísimas excessões). Portanto, é mais fácil se isolar no próprio mundo, lidando somente consigo mesmo (E quantas vezes isso é feito de modo errado...) e deixando de lado esse tal de "próximo". E eis que aí reside muito da covardia. Somos covardes uns com os outros, não chegamos a ser ruins ou de mau caráter, somente covardes de se abrir ou ao menos ceder, deixando de lado o EU e caminhar pelos campos desconhecidos dos outros.
Digo tudo isso por experiêcia própria. Não tenho como negar que sou um perfeito egoísta em muitos momentos, e a desconfiança de ir em frente com algum tipo de compartilhamento de sentimentos soou atemorizante e absurdamente perigoso, e me fez trancar diante de oportunidades impressionantes, caracterizando-se como incomensurável covardia.

Creio que este amontoado de ideias soe bastante confuso e razoavelmente sem nexo. De forma inconsciente creio que tenho sido essa minha ideia inicial, já que é mais ou menos assim que me sinto ultimamente.
Mas embromar não adianta nada, e por isso deixo a palavra para aquele que deu título a este confuso escrito:


"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."
William Shakespeare. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Roteiro do meu Réquiem

Lá vou eu de novo parodiar títulos de músicas. Mas estou nem aí, adoro fazer isso.

Réquiem é uma palavra que me é muito interessante. Tem uma sonoridade única e representa com simplicidade toda uma vasta gama de sentimentos relativos à morte, luto e pesar. É pesada, sombria, e remete mais do que simplesmente um velório, onde uma família mantém acesa a chama constante da hipocrisia civilizada da sociedade huamana.

A morte é a única certeza que temos em vida. Parece mórbido e deprimente, mas é verdade. Paremos para pensar e chegaremos a essa conclusão. O futuro é um mistério absolutamente indecifrável, e simplesmente não temos como saber se continuaremos a viver amanhã, depois ou até quando for.
De fato não tenho como entender o medo tão profundo que se tem da morte, que é algo sublime, apoteótico (Sim, um exagero, já que o significado dessa palavra não ter absolutamente nada a ver com essa história toda, mas azar) e porque não, dependendo da situação, glorioso.

A passagem da imensa maioria das pessoas sobre a terra é irrisória, insignificante e que passa despercebida. Por isso morrer não deveria significar nada de horrível, já que vivendo ou não nunca seremos nada de relevante. Ponto de vista totalmente pessimista esse, eu bem sei. Mas nessas horas não adianta em nada aquelas histórias de cada um é importante, que tem seu papel, seu destino, seu motivo de existir e afins.Na hora de morrer viramos tão somente mais um na multidão. E bem por isso creio que a morte deveria ser a coisa mais esplendorasamente pessoal  que possa existir. Nossa irrelevâcia perante é história é factual, porém nós mesmo sabemos que existimos e que fizemos alguma coisa em vida, logo, poderemos sem pesar na consciência, glorificar nossa própria extinção física.

E entrando nessa seara, fico fantasiando um roteiro para o meu próprio réquiem. Não serei santo, Papa, Presidente, ou mesmo alguém importante, e por isso não imagino uma multidão chorando minha irreparável perda. No máximo meia dúzia de amigos fiéis, familiares que restarem e um e outro curioso que sempre aparece nessas horas.
Tudo começa com os pressentimenrtos. Depois os conformismos e os primeiros sentimentos de saudosismo.E quando a inefável hora vem, nada a de se fazer se não entregar-se aos braços frios da morte. Sem velórios demorados, uma breve vigília e nada mais. Eu sou um nínguem, e como nínguem desaparecei num sepultamento discreto num cemitério charmoso de algum fim de mundo.

Devaneios absurdos, com certeza. Mas são devaneios reconfortantes, que me põe diante da incontestável verdade da insignificância perante a existência. Sou apenas mais um que enfrenta suas batalhas buscando a utópica Terra Sagrada da realização. Somente mais um dos cruzados dos tempos modernos que sai por aí sem saber o porque de fazer isso, que age tentando entender as razões, mas no fim das contas não passa de um mero caçador de sombras, sombras essas que pairam por mundos irreais querendo ser verdades. Muitas vezes a redenção vem tardia, onde pedaços do tempo se espalham pelos meandros da memória  empurrados pelo soturnos ventos de qualquer ideia parecida com destino.
Mas convenhamos, quem não se engana durante a vida, não passa por remorsos quando se está perto do fim. Aproveitemos a vida para mais tarde morrer de consciência leve.

A vida é bela para quem sabe viver. Pensar em deixar a vida não é simplesmente morbidez, é apenas encarar a verdade sem ressentimento ou culpa. Nada é eterno, os ciclos se renovam, e o tempo de cada coisa se esvai, para dar lugar a outra. Talvez a única coisa eterna seja o tempo, com toda sua metodologia mística e criptográfica, que nos submete a seus caprichos sem dar qualquer chance.

Conformismo não é o fim do mundo. Nunca se sabe a hora que ela vem, mas deve-se viver o melhor possível, para quando a senhora morte vier, simplesmente sorrirmos e pegarmos em sua mão e ir para a eternidade.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Sobre Dio e câncer

Apenas uma nota rápida: Já foi veiculado há algum tempo que um dos maiores ícones do Heavy Metal, Ronnie James Dio, está lutando contra um câncer de estômago.

Sou um grande fã do trabalho dele, admirando-o como artista e ser humano, e por isso peço que qualquer um que por acaso ler isto, lhe faça uma oração ou mande qualquer tipo de desejo de melhora.

Força Dio! Todo nós temos certezaque você vencerá essa luta!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Considerações impressionadas

Não é simplesmente mais um ano que está por acabar, mas também uma década inteira já se passou. É realmente impressionante a forma como esses dez anos passaram; com certeza tivemos imensos divisores de águas, e o mundo não é mais o mesmo terminada essa década inicial do século XXI. Terrorismo, guerras, explosão definitiva dos escândalos políticos, eleições controversas, um negro como homem mais poderoso do mundo, a aceleração absurda da tecnologia, gripes que acabaria com o mundo e não mataram quase nínguem... Foi de fato muita coisa.

O mundo foi moldado novamente pelos acontecimentos desses anos. A Era do Terror se instaurou pelo mundo, e a fracassada campanha militar americana no Iraque encabeçada pelo simíesco e completamente estúpido ex-presidente George Bush talvez tenha sido um dos melhores exemplos disso, onde os banhos de sangue são diários e milhões de vidas são jogadas fora como lixo. A "liberdade" ocidental mais uma vez se defrontou com os costumes repressivos do oriente médio e do mundo árabe, sendo retratado isso tanto em literatura com best seller que venderam milhares de exemplares pelo mundo, ou mesmo pela queda do regime talibã no Afeganistão, que se tornou apenas mais uma das ramificações do conflito dos EUA contra o resto do mundo. A liberdade trazida pelo ocidente jamias se concretizou, já que com ou sem regime opressor, a violência segue dia após dia, e nenhum escritor jamias vai conseguir retratar com total fidelidade o terror de ter a vida em risco todo o santo dia.

O nosso Brasil viveu anos conturbados, em meio a um governo que é absolutamente impressinante pela capacidade de fazer grandes coisas em todos os sentidos, bons e ruins. Ao mesmo tempo que o país vive um vistoso crescimento econômico e social, nunca houveram tantos escândalos de corrupção e ladroagem política e pártidaria, onde o Deus-Todo Poderoso-Dinheiro já passeou por cuecas e meias. Sim, isso não é novidade nenhuma, já queatualmente tudo isso se torna público pela liberdade que a mídias tem, coisa que simplesmente não existia no tempo da Ditadura Militar, um período tão corrupto ou até mais que o nosso. Porém, o que causa tristeza, é que mesmo com esse mar sem fim de notícias acerca do tema, o povo burro e alienado simplesmente não dá a mínima atenção para nada, contentando-se com a antiquíssima (E eficiente pelo visto) política do "Pão e Circo".

O mundo ficou mais alienado do que nunca. As duas grandes gripes da década estão aí para provar isso: aves e porcos se tornaram motivo de pânico ao redor do mundo, enquanto que alguns senhores barrigudos riam a valer em escritorios luxuosos dos países ricos vendo as cifras de suas empresas farmacêuticas subirem a níveis estratosféricos. E junto com eles riam os chefões de empresas de comunicações, que ganhavam sua fatia desse saboroso bolo epidemico ao propagar as predições mais aterradoras e catastróficas (quase apocalípticas) sobre as consequênciasan do espalho dos vírus infernais dessas gripes. E o povo alienado corria apavorado às farmácias comprar Tamiflu e máscaras.
E um fato curioso: a gripe comum mata em um ano normal muito mais pessoas do que o número total de óbitos ocasionado pelas gripes aviária e suína, respectivamente nos anos de 2005 e 2009.

E a alienação transcendeu os limites do plano sócio-plítico, entrando com tudo no mundo da cultura. Tristemente a música de massa da geração dos anos 2000 foi uma das piores de todos os tempos, onde mais do que nunca os olhos capitalistas de produtores rastreavam por bandinhas e cantoras que os fizessem enriquecer em pouquíssimo tempo. Letras vazias, temas banais, embelezamento estético acima de tudo, febres que sumiram tão rápidas quanto apareceram, dando lugar a novas que vão tendo seus minutinhos de fama até que seja sua vez de sair de cena. As crianças se sentem adultos aos onze, bebendo, fumando, se drogando, transando e engravidando, tudo pelo sentimento extremo de aproveitar a vida ao máximo, dando dinheiro a empresas que fabricam bebida, músicas e filmes ruins, escritores medíocres e televisões vazias e completamente abestalhadas. Lamentável.

Obama foi algo surpreendente, não tem como negar. Mas é dificil acreditar em revolução, pois creio que ele não passará de fantoche nas mãos de gente mais poderosa. Tomemos por exemplo o fiasco de Copenhague, o caro Barack seria o único com poder o suficiente para fazer algo realmente útil para a saúde do planeta, mas não o fez; ele mais seus coleguinhas capitalistas disfarçados de comunistas lá da China se recusam veementemente a reduzir suas emissões de poluentes, alegando que isso prejudicaria sua economia. Pessoalmente eu creio que um colapso climático prejudicaria bem mais a economia de todo mundo do que simplesmente reduzir emissões de poluentes.
Muito bem, e o clima é outro personagem importante dessa década. Furacões, terremotos, temporais, enchentes , destruição e calamidade pública como há muito tempo não se via igual. Como diz aquela frase velha e surrada, mas que não perde o valor, a natureza está começando a cobrar o preço dos atos dos homens...

Nosso futuro é incerto, muito incerto. Outra década se abre diante de nós, com desafios hérculeos a serem enfrentados, que de certa forma vão mais fundo do que questões econômicas, políticas, sociais ou ambientais, passam para um plano mais interior de cada pessoa, de cada indíviduo que seja capaz de fazer alguma coisa, por menor que seja. Alienação, insensatez, ganância, intolerância, ódio, ignorância, omissão, egoísmo.... todos esses, e infinitos outros, são os nossos piores inimigos, e cada um deles mora dentro de nós mesmos.

E vencer esses inimigos será a única forma de sermos capazes de poder tecer novas considerações no futuro.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Como sempre, um natal depressivo

São Dez e Meia do dia 24 de Dezembro, véspera de natal. E cá estou eu escrevendo essas linhas pesarosas.

Antes de mais nada preciso preciso dizer que gosto da minha família, não odeio nínguem, e não nutro nenhum desafeto profundo. Logo, não passa por questões de brigas familiares ou não as razões destes escritos.
O natal me deprime. Mesmo gostando da minha família, e ela não ser o maior motivo disso, de alguma forma ela colabora. Provavelmente seja algo inconsciente e remoto, já que de tanto ver na televisão famílias comemorando o natal, acharia-se natural que a própria também o fizesse. Mas minha família não é como as da televisão. Aliás, nenhuma é.

Nós não temos ceia, amigo secreto o qualquer coisa deste tipo. Não é por miséria financeira, não mesmo, nem tenho do que reclamar de nossa condição financeira. Acaba sendo alguma forma de inércia, de falta de vontade, sentimentos endurecidos e que não se abrem para esse tipo de sentimentalismo vago. Isso pode soar estranho, tendo-se em vista toda a simbologia dessa época do ano, mas se eu analiso friamente, vejo que acaba tendo sentido. O natal é uma piada.

É uma piada mesmo. Começa por ser historicamente hipócrita: o cristianismo precisava dar um jeito de fazer com que os romanos pagãos aderrisem a doutrina de Cristo; pois bem, os "cabeças" do culto cristão tiveram um ideia brilhante: associaram o nascimento de Jesus com um muito comum feirado pagão da época, o Dia do Deus Sol, que muito por acaso vem a ser o nosso tão adoro 25 de Dezembro. A hipocrisia cretina reside no simples fato de mais tarde toda a doutrina católica desmerecer o paganismo que fez com que ele crescesse e ficasse "popular", assim digamos.
Já aí se nota que muito do espírito da coisa foi inventado por conveniência, e com o passar do tempo essa conveniência exigiu mais algumas adaptações.

Não entro no mérito de dizer se Jesus existiu ou não, já que isso não vem ao caso. Mas o que vem ao caso é citar que tudo que sua cultua hoje em dia tem um único e inegável motivo: dinheiro.
Não adianta negar, isso é uma verdade. O natal é um negócio, que visa exclusivamente o lucro (prejuízo para outros), onde o imperialismo capitalista se reveste de bons sentimentos de solidariedade e caridade para faturar somas estratosféricas em cima da vaidade e egoísmo da sociedade civilizada. Me deprimo em ver aqueles verdadeiros formigueiros humanos que são os Shoppings ou centros populares de compras nessa época do ano, atrolhados de pessoas que precisam com uma gana ensandecida gastar para manter aparências fúteis.

Eu gostaria de acreditar na ideologia de paz e amor dos símbolos natalinos. Em alguns momentos eles podem ter sido sinceros e de fato importantes, mas hoje não são, não passam de distorções descaradas de bons valores, mergulhando toda a sociedade num mar obscuro e brumoso de cinismo e hipocrisia.
Reuniões familiares são hipócritas e cínicas por natureza, maquiadas de união e alegria, mas que tem por baixo raiva, necessidade de aparecer e manter aparências. Esquece-se por alguns dias as desavenças, como se nunca existissem, para que logo após cada um ir para seu lado os murmúrios fervilhem uns contra os outros novamente, sem que tivesse acontecido nenhuma mudança concreta em relacionamento nenhum. Mais motivos para não entender essa "tradição" e acabar ficando deprimido.

E o Papai Noel? Pergunte ao dono da Coca-Cola dos anos 30, que foi quem o inventou, baseado na lenda de São Nicolau para alavancar a venda da bebida nessa época tão fria do ano e que não é convidativa para se tomar refrigerante.

Sinceramente, eu queria poder crer nesses valores pregados. Mas não dá.

O fato de minha família não ser lá muito ortodoxa para comemorar essa data não tem nenhum valor redentório perante a sociedade falida, não tem mesmo. É apenas mais uma no meio da massa, que passa desapercebida e não tem poder de mudança. Temos nossas pequenas farsas, pequenas mentiras e pequenas hipocrisias, já que disso nínguem está livre.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2012, Fim do Mundo, bobagens e afins

Alguns dias atrás estive na biblioteca da minha escola e por acaso acabo me deparando com uma revista "Mundo Jovem" de 1997 com a seguinte matéria de capa: "Ano 2000, será o fim do mundo?"

Não tive como não achar graça. Coicidência curiosa com o que vivemos nos nossos dias atualmente, só pensando neste profético 2012. Em 1997 eu tinha 5 anos, e ouvia histórias tenebrosas sobre o fim do tempos e via um monte de gente desesperada. E em 2000, aos 8, não vi nada ade anormal acontecer (Bem por isso talvez esteja escrevendo isso agora). Pois bem, e parece que vejo o mesmo filme de novo: escuto histórias assustadoras, teorias, possibilidades e muita especulação sem fundamento.

Obviamente que dou boas risadas disso tudo. Mas por outro lado paro para pensar o que leva as pessoas a se apegarem tão fortemente a essa ideia quase mórbida de fim de mundo. Não entendo muito bem o motivo disso. Na Idade Média o aspecto religioso foi um excelente motivo, já que a alienação católica medieval foi algo muito profundo na sociedade daquela época, aliada a interpretações dúbias da Bíblia (Um livro dúbio por natureza e que é cheio de mistérios mas profundos do que os pregados pelos pseudo-sacerdotes de todas as religiões contemporâneas). Sim, isso na antiquada Idade Média, mas hoje, o que leva a essa fobia absurda?

Vá se saber. Bela pergunta sem resposta. Mas mesmo sem encontrar respostas, nós podemos nos dar ao luxo de divagar quanto às questões e chegar a ideias verossímeis porém sem provas concretas.

Um fato inegável é que o ser humano é místico. Muito místico, querendo ou não. Desde seus primórdios mais ancestrais, o homem vem se vendo de frente com coisas que vão além do seu conhecimentos, temendo-as e respeitando-as (a ideia de sagrado e divindade, de certa forma). Esse misticismo acompanhou todas as sociedades, vertendo-se em religião ou antítese a ela, essa última possibilidade seria mais relacionada a interesses pessoais nada transcendentais. E como nos povos antigos a religião era uma das partes inerentes da sociedade, todas as previsões e observações que envolviam astronomia, astrologia e misticismo, eram muito levadas à sério.

NOTA: Me refiro a sociedades e povos antigos porque as religiões modernas (entendesse judaísmo , cristinanismo e islamismo) se utilizam dos conceitos místicos da forma mais errônea possível, distorcendo seus valores e pensando mais em interesses meramente humanos, enquanto que mas civilizações mais antigas e distantes disso, a religião tinha um papel mais próximo das pessoas, fazendo uma ponte muito mais estreita entre os homens e os deuses.

Portanto chego ao ponto que me interessa dissertar. Uma das sociedades mais notórias em previsões catastróficas é a Maia. Segundo seu calendário super tecnológico (para um civilização de 10 mil ano é) no ano de 2012 o mundo se acabaria. Bem, isso no imaginário popular e nos livros dos estudiosos sensacionalistas. O que de fato está registrado naquelas milenares escrituras e predições, é que esse ano seria tão somente o fim de um ciclo e o início de outro. E lá vamos nós de novo com a morbidade de logo associar isso a um fim dos tempos. Esse conceito maia de ciclos que se renovam faz todo o sentido, já que se observarmos com um mínimo de atenção o mundo que nos cerca, veremos que tudo é cíclico: as estações do ano, as fases da lua, um ciclo menstrual, os anos.... A vida se renova em ciclos, tudo é ciclíco, tudo é circular; e a morte, é tão somente uma consequência da vida.

Então temer a morte no fim do mundo é pura tolice, uma imensa bobagem. A alienação cristã se apoia na relação merecimento-salvação, que absolutamente distorcida em detrimento a mais uma vez interesses (De novo eles...) baixos e mesquinhos, manipula as pessoas a serem fantoches, plantando-lhes sementes de medo, arrebanhando fiéis pelo terror e falsas promessas de salvação.

E aliás, nem o nosso cristão e tradicional Apocalipse é corretamente interpretado. Nos ensinam nas aulas de catecismo que o Apocalipse é o fim dos tempos, o Julgamento Final onde os ímpios pagarão por seus pecados e os infiéis arderão no fogo do inferno e outros blá blá blás. mas o que pouca gente sabe, é que a palavra Apocalipse em grego significa revelação. Convenhamos, de fim do mundo para revelação temos uma distância interpretativa considerável.

Todos as culturas tem o seu fim do mundo. O Ragnarock nórdico é um exemplo interessante. E de certa forma, tudo isso tem um cerne comum: o fim de uma era e o começo de outra. Novamente essa ideia circular, que de tão repetida, em culturas diferentes e completamente isoladas umas das outras, não pode deixar de ter alguma coisa de verdadeira.

Esse nosso mundo e suas bobagens que povoam programas de televisão que querem bancar os intelectuais.... No fim das contas, rimos.

domingo, 15 de novembro de 2009

Um mundo de cegos

Bem, tenho me aproveitado descaradamente de trabalhos escolares para atualizar isto. Pode parece até falta de criatividade instantânea para escrever algo absolutamente novo, exclusivo para este espaço; mas não é não, são apenas circunstâncias.


Mas vamos aos fatos, abaixo vai uma análise sobre o Livro "Ensaio sobre a Cegueira", do autor português laureado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1998 José Saramago, que tive que fazer para uma aula de literatura.








A relação do tema de “Ensaio sobre a Cegueira” com a situação do mundo moderno



Com certeza absoluta, “Ensaio sobre a Cegueira” é a obra-prima incontestável do escritor português José Saramago. Antes deste lançamento já havia traçado uma carreira sólida e recheada de polêmicas e sucessos editoriais. Porém, com este seu peculiar ensaio, atingiu o ápice de sensibilidade humana, indo muito fundo em questões que na maioria das vezes não queremos nos dar conta.
Este livro traz uma narração perturbadora, intrigante e que lança o leitor em meio a uma situação de caos absoluto, onde todas as regras sociais foram esquecidas e o instinto de sobrevivência é a única coisa que persevera. A tal cegueira branca, uma espécie de cortina leitosa que se derrama sobre as pessoas tirando-lhes a visão, de certa forma é um artifício do autor para levar o ser humano a sua substância mais primitiva, instintiva, reduzindo-o ao menor nível de lucidez que fosse possível. A insanidade da situação de não enxergar e estar enjaulado num mundo à parte onde precisa fazer atrocidades para ficar vivo, leva o leitor a refletir sobre o que é de fato enxergar.



As pessoas do mundo contemporâneo enxergam, mas não veem, não reparam. De alguma maneira, todos acabamos sendo uma grande bando de cegos que enxergam, presos em nossas próprias ideologias falhas e sem nenhum sentido, seguindo apenas o que outras pessoas afirmam estar correto. Somos cegos de pensamentos, não temos nenhuma luz do saber próprio, vivemos em alienação política, social e de pensamento, sendo reféns de convicções que sequer sabemos porque temos.



Toda a metáfora idealizada por Saramago redunda na completa cegueira em que vivemos; cada detalhe tem alguma relação com o mundo real, com as pessoas que de fato tem história, passado ou sonhos quanto ao futuro. Portanto, a ideia de usar pessoas sem nome, sem história, não é uma excentricidade do autor, mas sim uma forma de descompromissar aquelas pessoas pelo que acontece com elas, já que logo teríamos a seguinte ideia: "O que será que ele fez no seu passado para ser assim castigado?”. E também para fazer o leitor perceber que nem o mais puro e digno dos cidadãos está livre da insanidade devastadora desta curiosa cegueira social que aflige o mundo de hoje. Podemos ser todos, todos mesmo, vítima delas.



Pois bem, certamente que essa ideia de cegueira coletiva não aconteceria de fato. Trata-se tão somente de uma metáfora, um meio ilustrativo para demonstrar o quanto o homem pode ir baixo na luta pela sobrevivência. Uma maneira de fazer reparar que o homem apesar do intelecto evoluído, está muito mais próximo do irracional do que pode imaginar.



Mas apesar de todo o absurdo caos da história, das situações degradantes que os personagens passam, do terror, do medo, do pânico que tudo isso causa, após o martírio pode haver redenção. Tão sem motivo como chega, a cegueira se vai, restituindo a dádiva de enxergar àqueles pobres coitados. Tanto os maus quanto os bons voltam a ver, dando-se conta do cataclismo com suas proporções reais que foi toda essa experiência completamente assustadora.



Em suma, “Ensaio sobre a Cegueira” é uma grande alusão ao que homem faz consigo mesmo, com o mundo e com seus semelhantes; um retrato obtuso e surrealista da falta de sentido que é civilização ocidental do século XX (Já XXI, no nosso caso).



Façamos como diz o Livro dos Conselhos:
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”









Caso alguém se interesse em ler esta obra-prima da literatura em língua portuguesa, segue um link de download:








E se alguém puder adquirir o livro físico, pode faze-lo tranquilamente, porque vale muito a pena.