domingo, 11 de outubro de 2009

Dias cinzas

Gosto muito dos dias cinzas. Me dão vontade de ouvir Paradise Lost e ler Edgar Allan Poe. Nesse exato momento, olhando pela janela do quarto, vejo um primoroso dia primaveril, com um belo sol e a natureza fervilhando de vida. Acho lindo, sim, muito agradável; mas mesmo assim ainda prefiro os dias cinzentos, com seus ventos sussurrantes, meias-luzes enigmáticas e silêncios reflexivos.

O mundo tem os ciclos das estações, com o apogeu no verão e o momento mais tenebroso no inverno. Bem, eu consideraria meu apogeu pessoal justamente o inverno, com sua tenebrosidade fria, as trevas (como isso piegas.... mas azar) e a incerteza do dia seguinte. Pessoalmente eu acredito que é nesse período que existe a produção mais refinada por parte de qualquer pessoa, já que de alguma forma foi herdado dos antepassados mais remotos o medo do inverno, a dúvida da sobrevivência, e com isso se quer deixar o melhor por esse tempo, pois nunca se sabe o que virá depois. Isso é uma teoria sem qualquer base concreta, que acabou de brotar dos pensamentos descoordenados e, portanto, creio que não deve ser levado muito em consideração. Nem sei dizer muito bem o real motivo dessa prefêrencia por dias frios, escuros e sem lá muita vida, é uma paixão inerente a mim, como se a aparência de um dia assim fosse uma espécie de reflexo da minha alma. De fato, muitas vezes me sinto cinzento, soturno, obscuro. Exatamente, algumas coisas de mim mesmo eu não conheço.


A instrospecção e o silêncio são sempre aliados. Em algum lugar ouvi dizerem que o pior dos solitários é aqueles que não consegue ficar sozinho. Ouvi isso e me identifiquei instantaneamente com a ideia, já que por motivos não dos mais significativos passei muitos, inúmeros, incontáveis, dias de solidão. Prefiro não ver isso como um exílio social, mas sim como um eterno exercício de auto-conhecimento . Existem pessoas que dispensam tanta atenção ao que as outras pensam a respeito delas, que acabam por esquecer de si mesmas, tornado-se um enigma ao próprio auto-conhecimento. Isso parece um tanto incoerente, mas é o que me ocorre, já que não foram poucas as vezes que me deparei com aqueles que conhecem mais os amigos do a si mesmos; de fato essa é uma histórinha batida, que quase todo mundo já viu em começo de ano escolar, mas de qualquer maneira é sempre algo que me surpreende, que faz se depara com os desertos interiores. E esses desertos, invariavelmente, são cinzentos.

E mais uma vez deparamo-nos com as dualidades existenciais. Não há o colorido da felicidade sem os contornos sóbrios e melancólicos do cinza. Sim, isso é um fato, vemos isso seguidamente e é sempre bom levar tudo isso em consideração. Bom, existem excessões, como sempre. Existe ambiguidade, e muita, circundando tudo o que o mortal e passageiro ser humano faz. Transcender os limites do natural é comum, e transformar uma das formas em única é o primeiro passo à loucura doentia. Ser feliz demais é erro, e se martirizar eternamente por motivo algum é tão errado quanto. As duas situações são doentias, mórbidas e denotam o vazio e o medo enrustidos em cada um.

Anoitece, sopra uma brisa forte, mas não fria. Um belo dia primaveril chega ao fim. Pelo que parece a noite será bastante sombria, já que as finas nuvens do horizontes vão se amontoando lentamente, para que amanhã seja um dia cinza.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Raiva

Enraged and full of anger.

Sábias palavras proferidas, ou melhor, cuspidas, por Rob Halford no clássico dos clássicos Painkiller.

Nos últimos tempos tenho me sentido assim. Bem, eu não sou meio homem - meio máquina, nem devasto planetas e muito menos cuspo fogo e fumaça. Mas de qualquer jeito ando furioso e cheio de raiva. E isso me impressiona, já que na maioria das vezes, sempre fui quase um monge tibetano quase atingindo o Nirvana (certo, isso é um exagero cretino). Na verdade, como qualquer mortal comum, tenho meus momentos de raiva. E o que me intriga nisso é a forma como tudo ocorre. Perturbadoramente silenciosa.

É algo quase cientificamente comprovado (ou que qualquer um com um pouco de senso de lógica pode reparar por conta própria): Os sentimentos de raiva e ira servem como válvula de escape para as pressões que se acumulam, misturadas a medos, frustrações e tristezas. Botar tudo para fora num grito raivoso é a coisa mas natural do mundo. E bem por isso que fico até com medo dessa minha raiva muda.

O pequeno universo que e cerca a cada dia se mostra mais e mais nojento. A épica e monstruosa guerra de egos com a qual eu (e convenhamos, quase todo mundo) se depara todo o dia vai tomando proporções devastadoras, e que me deixam absolutamente decepcionado. Detalhes são irrisórios nessas horas, o senso comum inconsciente indica para qualquer um que tipo de exemplos tomar, e por isso nomes e fatos são tão inúteis quanto tentar derreter ouro com um fósforo.

O cinismo e a hipocrisia nunca andaram tão próximos. É lamentável ver e ouvir coisas tão desagradáveis e não ter sequer estômago para tentar dizer algo em contra-partida; outro fator para minha raiva interior . Estar cercado de futilidade é um martírio, mesmo eu não querendo ter qualquer pretensão canônica, e por isso cada novo dia vem mais cheio de duras provações. O não-senso é enojante, viver alienado é tão comum que os conceitos coloniais, medievais até, prosperam sem serem questionados, endeusados como verdades irrevogáveis e dogmas eternos e monoliticamente postados sobre qualquer cultura. O horizonte dos olhos é o limite, não existe universo aquém de seus plexos solares e ebriedades sórdidas. Mundo atulhados de limitações, onde olhar para o céu, e imaginar algo além de tudo o que já foi visto, é um crime.
A decepção acaba sendo algo de todo corriqueiro. Ir fazer alguma coisa que já sabe que será frustrada, sem sentido, vazia e estúpida. O desânimo tem força, muita força; ele abre caminho para o espelho da alma. É no momento de decepção, de tristeza e melancolia que nos vemos melhor, meditamos, buscamos nossas respostas. E como tudo o que quero é antagônico ao que convivo, a decepção e o desalento andam sempre soturnas, por perto, rondando como um caçador experiente. E essa estranha raiva se desenha com contornos perigosos, já que não sei como ela vai acabar sendo expurgada um dia. A revolta silenciosa, repleta de ódio que borbulha discretamente no âmago, vai ficar por ali à espreita, apenas aguardando sabe-se-lá-o-que
Cada demonstração de ignorância, de futilidade, de vazio interior, faz com que mais um pouco da minha vontade seja derrubada. O ímpeto segue forte, meus sonhos e minhas metas são inatingíveis, mas o ânimo para lidar com os semelhantes de meio, ah, esse esmorece lentamente, até que chegue o dia que ele desmanchará por completo.
O mundo é absurdamente grande. E saber disso é um consolo igualmente grande. Só de imaginar a sensação de respirar novos ares, limpos e revigorados, a sensação de raiva diminui. Diminui, mas não some, como nunca, jamais, irá sumir.

sábado, 15 de agosto de 2009

O mestre dos marionetes


Sim, isso é Metallica. The Master of Puppets é uma música interessante. Mas para falar bem a verdade nem sei que diabos fala a letra, nunca parei para prestar atenção nem procura-la. O que me interessa de fato é a gama de possibilidades que um título desses pode proporcionar.


Marionete são figuras interesantíssimas. Que por meio da escravidão ganham vida. Essa é uma afirmação às vezes perturbadora, já que a escravidão é uma coisa que não se parece nem um pouco com qualquer sinônimo de vida. A escravidão reduz, humilha, faz desprezar e odiar. Mostra poder, força, submissão e terror. Um marionete é apenas um escravo da vontade alheia, dos interesses, de uma mente que tem planos. Sua vida não passa dos momentos em que é útil. E sempre que o espetáculo termina é mergulhado no mar da morte fictícia no qual ficam os seres inanimados. Deve ser uma existência muito triste a de um marionete, que alegra e encanta uns durante umas poucas horas, mas que não passa de um mero objeto nas mãos gananciosas (ou sofredoras, é preciso também ser visto por esse lado) de quem o apenas vê sendo somente um meio de faturar.

Seja um boneco de madeira ou seja uma pessoa, marionetes se veem por todos os cantos. São tão comuns que até mesmo podem nos passar completamente desapercebidos, isso quando nós mesmo não passamos de bonecos escravizados por terceiros. É verdade sim, muitas, muitas vezes são manipulados friamente por pulsos alheios que se aproveitam de nós. E quase sempre nínguem repara nisso. A escravidão de ser manipulado passa intermitentemente pela ilusão. A voz macia, sedutora, que promete os céus e a terra. Deparamo-nos mais uma vez com as intrínsecas fraquezas humanas. A ilusão é tão doce, com um sabor viciante, que mesmo depois de esmigalhada pela dura e crua realidade se mantêm firme, tornando-se uma necessidade doentia, de fuga do mundo físico. Por isso que é fácil ser tapeado, ser manipulado através dos fios invisíveis do sentimentalismo frio, cínico e mentiroso.

Pouquíssimas pessoas, ou quase nenhuma, conseguem se livrar por completo das tentações das ilusões escravagistas, que se tornam artifícios de outros para suscitar seus interesses (baixos ou não). E a probabilidade de que estas pessoas que manipulem outras também terem sido usadas de forma baixa e inescrupulosa é sensivelmente grande. Nisso, delinea-se uma tênue rede de fios, todos interligados, onde uns controlam e são controlados, formando o cenário e o elenco da triste comédia humana.

Mas nesse intrincada rede sempre haverá um Mestre. O Mestre de todos os marionetes. Ele é invisível, onipresente, onisciente e onipotente. Deus? Claro que não! Deus estaria muito além dessa mera dominação. O Mestre, então, é só um ideal, que os homens alimentaram durante todas as suas eras. Um tipo de cultura, de herança do trabalho, do raciocínio e do pensar. Da descoberta do prazer, de se dar conta que poderia se dar bem em cima dos outros. De certa forma, paradoxalmente, esse Mestre seria o próprio homem. Uma incoerência enorme, diga-se de passagem. Tentando corrigi-la, ou ao menos ameniza-la, é bem possível pensarmos então que o Mestre seja uma criação do homem. O homem é escravo de si mesmo, do seu modo de existir.

A peça continua, sem nunca parar. E um dia os marionetes adormecerão no esquecimento.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Alegre Melancolia Existencialista





Essa imagem ai do lado é a capa de um disco muito bom.O Opeth é uma banda de Death Metal Progressivo (ou Extreme Progressive, tanto faz), oriunda da Suécia, e figura no hall das minhas bandas preferidas. Este Blackwater Park é quase consensulamente a obra prima deles, e expressa com maestria um tipo de sentimento que levo muito em consideração: a melancolia.


Há alguns dias atrás me deparo cm um programa de TV onde uma sensitiva analisava vídeos sobre fantasmas. Em certo ponto, ela disse que uma pessoa melancólica,que é triste tem muita propenção a se tornar alvo de espíritos mal intencionados. Bem, depois de ouvir, fiquei imaginando o que deveria então fazer com meus discos de Doom Metal e Death progressivo. Obviamente não fiz absolutamente nada e deixem onde eles estavam (No PC, nesse caso). Assisti aquilo como um maravilhoso espetaculo de humor involuntário.


Não que eu tenha tendências suicidas, melancolia crônica ou prazer pela tristeza. Não, não, muito pelo contrário até. Mas como qualquer pessoa normal, preciso de momentos melancólicos, tristes, sombrios, soturnos e de solidão. A alegria em tempo integral não é totalmente uma problema, mas dependendo de como se lida com isso é bem provável que se acabe mergulhando num profundo mar de controvérsias pessoais. Se uma pessoa é feliz o tempo inteiro, está se enganando. Um humano não tem apenas um sentimento, não se limita a sentir tudo exatamente da mesma forma, em hipótese alguma. Somos um emaranhado de sentimentos que se entrelaçam no que se desenha como nossa personalidade. Tudo isso varia de formas abissais de indivíduo para indivíduo, e portanto a forma de encarar a melancolia é estritamente pessoal.

A felicidade extrema faz com que nos afastemos de nós mesmos. Quando somos felizes por completo, não o fazemos para nós mesmos, mas para mostrar aos outros. Seguindo essa linha, nínguem mostrar para os demais os seus podres, logo fecha os olhos para eles e os ignora. Só que ignorar não tem o mesmo significado de extirpar; as coisas ruins continuaram ali, num canto qualquer escondidas pela sombra do esquecimento. Ali, elas vão fermentar, espalhar influências silenciosas por todo o canto, em nuvens discretas, pairando sorrateiras pelos caminhos do espírito. Uma hora ou outra isso explode. E o pior, é que em vários casos isso não se externa. Um mar de ressentimentos inunda o âmago do ser, que se vê encurralado pelo sua imagem ideal e a verdadeira. A todo custo tenta se manter como quer, lutando contra inimigos invisíveis, mas que tem um poder devastador.

O fim disso eu não sei, outra coisa (só mais uma das incontáveis) que sempre, por toda a eternidade, vai variar. A loucura e a morte podem ficar a um passo uma da outra.

Exatamente por isso que a melancolia é uma parceira das mais confiáveis. Ouvi não sei de quem a seguinte frase: "A felicidade é efêmera, enquanto a melancolia é eterna" . Gostei dessa frase. Me faz muito sentido. A felicidade, a alegria são coisas tão frágeis que podem se perder com a maior das facilidades Enquanto a velha tristeza é sólida como um monolito.

Não, eu não vivo num mundo de trevas, de remorsos, sofrimentos. Isso seria burrice. O que eu penso, é que é muito fácil conciliar as duas coisas. Lidar com a tristeza é o meio de se manter equilibrado, e estando equilibrado, ciente de si mesmo, conhecedor dos próprios meandros, as felicidades virão. Também irão, inevitavelmente, mas de qualquer modo se estará pronto para abraçar novos contentamentos. Simples assim.

O lado obscuro do mundo. Quase todas as sociedades e culturas apregoam esse ideal de ambiguidade, de bem e mal, luz e sombra, vida e morte. E todos, sim, todos, tem razão. A existência é uma gigantesca ambiguidade, de contrapontos, de dualidades. Dia e noite, sol e lua, vida e morte, homem e mulher, alegria e tristeza, ignorância e sabedoria e uma infinidade de situações que se antagonizam eternamente.

Temos tudo isso dentro de nós. Temos a luz e a sombra, o bem e o mal; não há nínguem puro ou imune. Somos todos feitos da mesma carne, padecemos dos mesmo medos e dúvidas, temos potencialidades e defeitos semelhantes. Não há porque não ser triste e também não há porque não ser alegre.

Pessoalmente gosto do pequeno detalhe daquela capa em que se veem sombras, vultos, no meio de uma floresta escura, a frente de um lago. Creio ser uma analogia. A floresta escura é o próprio interior de cada um, o lago seria uma passagem para outros mundos, um portal turbulento e de difícil trato, e os vultos, os nossos fantasmas. Tenho uma quase convicção de que isso seja apenas uma alucinação de minha mente, mas essa alucinação me faz sentido.

A sombra existe para o sol, e vice-versa. Depois da noite vem o nascer do sol.

E também nínguem é triste para sempre.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Deus(es)?

Uma curiosa frase que li numa epígrafe de livro: "Deus é uma palavra que o homem inventou para explicar o mundo".

Me identifiquei com essa peculiar ideia da qual o autor nem lembro mais quem é. Uma mente doentiamente lúcida tem certa implicância em ter qualquer certeza a respeito de Deus. Sinceramente não tenho conclusão nenhuma para essa história. Me agrada o conceito de Deus; lucidez à parte, acredito que para quase todas as pessoas em cima dessa terra estar a frente de um enigma tão profundo como a origem do mundo e de si mesmo é algo completamente inquietante e até certo ponto assustador.
Uns defendem a ciência, de cálculos ou equações. Outros se apegam na fé, no Deus.
Pois bem, plantado no entre o ceticismo e a fé, eu me acho completamente sem rumo. Observo com muita convicção as descobertas da ciência, com as quais me obrigo a concordar, pois fazem sentido e tem uma lógica perfeita. Mas por um outro lado, é impossível me desligar da ideia de Deus. Um paradoxo, sim, um perfeito paradoxo. Pois o certo seria defender uma tese ou posição, ser de um lado ou outro, e não ficar se equilibrando em cima da borda do muro que divide as duas possibilidades.
Poderia muito bem isso ser alcunhado de covardia. Mas certas coisas me fazem discordar desse quase plausível argumento. Raciocínio frio e científico não mantém relações das mais estreitas com o sentimentalismo da fé. Dessa forma, podemos reparar que estamos entre extremos, ou se é cientista ou fiel.
Ora pois, não sou nem um nem outro.
Não tenho o profissionalismo nem a mente crítica de um cientista, e muito menos a emoção profunda pelo espírito religioso. Na grande, quase total, maioria das vezes, me posiciono como simplesmente mero observador sem conhecimentos profundos. Vejo, ouço, penso e não chego a conclusão nenhuma. E se chego, é uma conclusão que faz sentido tão somente para mim mesmo. Seria uma espécie da agnosticismo; afirmar que esse conhecimento superior, existencialista, está longe de mais de minha mente limitada.
Mas também não é por aí. Tenho sérias implicâncias com o agnosticismo, que em muitos e muitos casos serve para disfarçar uma verdadeira covardia, ou que também transforma o indivíduo num ser arrogante e que quer a todo custo se livrar das responsabilidades que uma posição dentro desse tema implicasse. Um falso discípulo socrateano, que anuncia que a única coisa que sabe é que não sabe de nada.
Tentar aliar as duas coisas é algo bem complexo. Admito que inúmeras vezes divaguei sobre isso, pensando como explicar os fenômenos científicos por uma ótica supostamente divina. Difícil, quase impossível. Eu sou um ninguem, e essas questões não me corroem tanto, mas outros homens de destaque e respeito na história consumiram suas vidas tentando encontrar respostas. Mas nisso surge a questão: para que respostas? Elas irão mudar nosso destino fúnebre?
Não, não vão. Mas o homem é o ser mais curioso que já andou por estas bandas do universo. E sente reduzido quando sabe que não entende algo, um tipo de desperdício de intelecto. Isso é estranho e confuso, mas me parece ser verdade.
Ao longo dos milênios deuses ascenderam e despencaram, nasceram e morreram, apareceram e sumiram.
No ocidente acreditamos em monoteísmo. Mas no oriente, na África, na Oceania,no mundo nórdico acredita-se numa enormidade infinita de deuses e divindades. Quem tem razão. A arrogância filosófica do ocidente ou a sabedoria milenar do oriente?
Óbvio que eu não tenho respostas. E ninguem as tem.
A existência não passa desse jogo sem fim de questões. Estamos todos fadados a buscar respostas para questões que muito provavelmente são apenas frutos de nossa prodigiosa imaginação.
Uma visão simplista e relativamente coerente: somos nossos próprios deuses. Deus vive em mim, ele é eu, e eu sou ele. O meu Deus não o mesmo que o seu ou o de ninguem. Deus então seria uma exclusividade, que nunca se repete, sempre diferente.
Sim, pelo visto Deus foi mesmo apenas uma palavra para explicar o mundo. Ele nasceu da imaginação, da capacidade de pensar. Logo, meu Deus será minha imaginação.
Acredito que minhas filosofias não tenham sentido, minhas ideias deem círculos e não vão a lugar nenhum.
Certo,sem problemas. Mas as de quem fazem sentido e levam a algum lugar?

domingo, 21 de junho de 2009

É sim, eu não bebo

Algumas vezes me causa espanto a reação da pessoa para quem eu digo isso.
Por algum motivo que me soa quase como maçônico, é uma regra imprescindível da sociedade moderna ser um pingunço inveterado, e tirar onda de "bonzão" disso. Se o indivíduo sair para uma festa e voltar para casa sóbrio, estará cometendo um pecado dos mais graves do repertório da religião frívola-mundana.
Pessoalmente não consigo compreender qual a razão de se ficar de porre. Também me estranho observar como se pode gostar de uma coisa com gosto tão ruim como bebidas alcoolicas. Cerveja, vinho, chachaça, whisky, vodka.... tanto faz. Tudo tem o mesmo gosto ruim. Isso sem levar em considerações os efeitos dessa substância no organismo.
Uns me dizem que o alcool faz criar coragem. Outros que só porque é bom. E tem os que enchem a cara simplesmente para ficar de porre. Bem, não sei se o problema é com eles ou comigo. Se os estranhos são eles ou eu. O mais provável disso é que eu seja um ser estranho e incomum nesse mundo; mas levando em conta a quantidade de coisas absurdas que já pude observar pelo comportamento "normal" , fico muito bem sendo uma criatura estranha e bizarra que não gosta de alcool.
Certa feita li um livro chamado "Até o mais amargo fim", de uma cara austríaco chamado Johannes Mário Simmel. Nele se conta a história de um ator fracassado e alcoolatra que se usa das mais baixas artimanhas para reascender ao estrelato e ao sucesso. Esse homem é doente, extremamente doente, principalmente em decorrência do cosnumo exagerado de bebida. Ao longo da trama se desenrola as misérias desse viciado, até o momento em que ele se vê obrigado a se tratar. E é nesse ponto que me impressionei definitivamente com essa história. Na clínica onde o ator tenta se recuperar, o médico lhe dá sermões a respeito do que o alcool representava ara a sociedade do século XX.
Achei tudo simplesmente perefeito. De uma sensibilidade e realidade crua e direta. O alcool foi "O mal do século", e até os dias de hoje ainda ronda muita gente fraca e sem estrutura psicológica. Em minha singela, modesta e desprezível opinião, qualquer pessoa que se apegue demais nesse artifício de efêmera felicidade e auto-realização, é totalmente oca por dentro, perfurada por dúvdas, incertezas e frustrações, que se extravasam por esse meio tão pouco ortodoxo.
A inerente covardia da raça humana pode igualmente ser um fator significante. O alcool encoraja, como já mencionei, e faz com que os medos se apequenem, fazendo com que surja um sentimento de onipotência e intocabilidade, que na maioria das vezes é trágico. O alcool traz uma ilusão, que se acaba num certo espaço de tempo; então, o fraco quer sentir aquilo de novo, e se embebeda outra vez. Isso se torna um círculo, o vício nasce e se apodera do corpo e da alma. Um caminho sem volta.
Egocentrismo e vaidades à parte, tenho orgulho em dizer que nunca tomei um porre, e nem pretendo o fazer. Não me sinto superior a ninguem por cuasa disso, nem melhor nem pior, apenas tenho uma forma mais lúcida e crua de ver o mundo. Meus olhos são mais abertos, veem mais coisas, isso sim é uma virtude, mas que se não usada com parcimônia, também acaba como um problema: o problema da altivez.
Prefiro ser um capitalista, verme de sistema, e tomar Coca-Cola mesmo.

sábado, 30 de maio de 2009

Nós não precisamos de Heróis

Heróis. Todo mundo gosta deles, é impressionante. Mas eu não gosto.

Essa figura curiosa idealizada lá pelos fins do século XVI deixa entender uma porção de coisas a respeito de nós mesmo e das inúmeras gerações que nos antecederam por cima desta miserável terra.

Bem, é óbvio que os tais de heróis existem a tempos imemoráveis. Certamente todas as culturas já tiveram (ou ainda tem, vai se saber) os seus heróis. Mas por que diabos nós precisamos deles? Sinceramente não sei.
Mesmo não sabendo o motivo real, nutro uma teoria. É muito provavél que essas ideias nem da minha cabeça tenham realmente brotado, mas sim moldadas a partir de ideias de outras pessoas captdas ao léu na imensidão do mundo literário. Mas isso pouco importa; seria mais ou menos assim:
O homem é fraco. Muito fraco. Disfarça sua fraqueza com a intelectualidade que desenvolveu ao longo dos séculos, defendendo assim sua superioridade em relação as demais criaturas que andam por aí. Muito bem, são fracos, medrosos, apavorados e sem motivação desapegada para com nada, e exatmente por isso, estando conscientes disso tudo, ineventam figuras daquilo do que queriam ser: fortes, corajosos, valentes e destemidos. Sua única virtude transforma-se em sua arma: a inteligência. Logo, não conseguindo obter esses ideais, ele os cria em criaturas imaginárias que propaga aos quatro ventos como sendo o modelo de homem de verdade. O Herói.
Pode até se imaginar que isso não tenha nada demais, que seja natural e irrisório. E por um lado até que é mesmo, só que na maioria das vezes o único que sabe quer isso não passa de umas invecionice de um covarde é o próprio autor. Enquanto o idealizador se conforma com a ignobilidade, iludindo-se com suas imaginações, os que ainda mais mundanos e fracos levam aquilo á sério, transformando a figura do herói como sua meta maior da existência.
E eis que é aí que mora o maior de todos os ledos enganos: todos querem serem heróis; mas sua natureza abobada e covarde nunca permitirá, levando de uma frustração a outra, num ciclo eterno de desilusões e fracassos.
Triste, deverás triste.
Mas o maior dos divertimentos humanos é se enganar. Fechar os olhos para a realidade se apegar ferozmente às idealizações, imaginadas por pessoas tão fracas quanto. Idealizações, idealizações e mais idealizações..... Durante quase toda sua história o ser humano não passou de um produto de produção em série, que se obriga a seguir modelos para tudo, de conduta, aparência, posses e ideais. A origininalidade que o intelecto poderia trazer nunca nem existiu.
Estamos todos agrilhoados num mundo sem saída ou escapatória. Quem não é igual ou é louco ou perdedor, um relés idiota, um verme insignificante que não é digno de qualquer atenção ou respeito. Como diria o Metallica: "Sad but true".
Toda essa patavina ainda por cima é mergulhada numa incoerência sufocante. Ora pois, nessa sociedade falida e pútruida, todos tem a obrigação cívica e moral de serem iguais, meras cópias em preto e branco uns dos outros; mas como então se explica a necessidade dos seres superiores, fortes e corajosos? Os heróis? Certamente a única resposta que qualquer um chegaria é: "Sei lá".
Uma campanha de televisão diz que o que move o mundo não são as respostas, mas sim as perguntas. E não vejo nada mais verdadeiro que isso, pois sempre que se encontra uma resposta, brotam outras tantas questões a partir dela. E se por acaso se acha-se um motivo para aquela questão acima, surgiriam mais e mais perguntas, tentando se entender a piada da existência.
Um sujeito chamado Tobias Sammet escreveu uma letra que dizia assim: "We are falling - falling to rise /Pain is the guide out of the wastelands / We don't need a hero" . Mais adiante fala-se em que não precisamos de charlatões que nos mostrem a luz. Por essas e por outras que eu adoro esse cara.
Não, não precisamos de heróis. Se por um acaso do imprevisível destino a humanidade abrir seus olhos há muito lacrados, se verá o quanto eles são estúpidos.