sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Bisturi e o Sucesso

Última madrugada. Como de costume, dificuldade em pegar no sono. Estando farto de fantasiar diálogos que provavelmnte nunca acontecerão, ligo o rádio e fico ouvindo o programa "Brasil na Madrugada", da Rádio Gaúcha. Nele se debatia o atual cenário do mercado da cirurgia plástica em nosso país.
Mas o que de fato mais chamou minha atenção foi uma constatação feita por um cirurgião que neste meio é bem conhecido, mas que eu realmente esqueci o nome: a grande maioria das pessoas que procuram clínicas que fazem cirurgias plásticas querem ficar parecidas com alguma pessoa famosa.

Ok, isso não é novidade nenhuma, já que é algo veiculado massivamente na mídia. Mas o que de fato me deixou surpreso foi algo que ele disse depois: "As pessoas querem ficar com partes do corpo parecidas com as de pessoas famosas porque nessas pessoas elas identificam e visualizam o conceito de sucesso. Em geral, assimilando-se a esses 'famosos', as pessoas comuns creem que possam conseguir o mesmo sucesso."

Talvez essa seja uma constatação óbvia feita pelo médico, mas fiquei de fato perplexo ouvindo aquelas palavras.

O ser humano desde sempre tenta observar aspectos e características que indiquem sucesso, seja para copia-las e igualmente obter sucesso ou, no caso instintivo de perpetuar a espécie, conseguir um parceiro ideal. E isso também se aplica a grande maioria dos seres vivos que andam sobre a terra. Logo, como já mencionado, é algo que parte do instinto mais primitivo, do lado irracional do homem.
Só que daí eu me pergunto porque o homem se acha tão racional, tão dono de seus atos, tão superior se se deixa levar por instintos dessa natureza? (Existem vários tipos de instinto, mas me apego nesse, já que dissertar sobre outros não caberia nesse momento).

Mas me ocorre uma possibilidade hipotética: aliado a esse instintivismo, temos a pressão massiva e impactante da mídia, que cria esteriótipos de tipos vencedores, que tem um padrão físico e estético, de personalidade e atitude, que a esmagadora maioria da população alienada compreende como seja o tipo que consegue sucesso, e quando não se é daquele tipo pré-estabelecido, se está fadado ao fracasso.
Portanto, temos uma lastimável soma de instinto primitivo e desnecessário (dado nosso suposto nível intelectual) com a típica alienação midíatica causada por interesses de corporações de todo tipo, numa cadeia de manipulações intrincada e cheia de ramos.

Na minha irrisória opinião, o simples fato de pretender conseguir um algo mais tentando tornar-se parecido com alguem já conseguiu, por si só é um auto-desmerecimento gigantesco. Acaba-se negando a si mesmo, assinando um atestado de inferioridade, algo muito mais auto-depreciativo do qualquer pessoa de baixa-autisma crônica seria capaz de fazer.


Não vejo motivo plausível para crer tanta intensidade que seguindo um padrão há de se obter sucesso. Existem duas coisa infinitamente mais poderosas que um bisturi para atingir seus objetivos: talento e determinação.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um ano para esquecer

Enfim, 2010 vai nos dando adeus. Para este que vos fala, foi um dos piores anos no âmbito pessoal com certeza absoluta. Nunca tinha conseguido reunir tantos fracassos, tantas frustrações e desperdiçar tantas chances incríveis como neste fatídico 2010.

Olho para trás e vejo que praticamente joguei um ano de vida fora. Não fiz nada de útil, e quando tentei, fracassei vergonhosamente, escancarando todas as minhas fraquezas, os meus medos, me obrigando a rever quase todos os meus conceitos que tinha sobre mim mesmo. Me acostumei com o gosto amargo da derrota, do escárnio dos próximos, com as indiretas e com toda a hipocrisia, que talvez seja o que mais dói.
2010 foi o ano em que as minhas neuroses foram mais intensamente atuantes, em todos os aspectos possíveis; foi o ano em que eu mais perdi tempo pensando com fervor, e lógicamente por isso foi o ano no qual mais me torturei e fiquei deprimido, já que o dom de pensar racionalmente é o maior provedor de sofrimento, de angústia, de tensão. Não sei se é uma frase de alguem que ouvi por aí, ou se brotou dos confins escuros da minha mente doentia, mas "Quem pensa sofre".

O alienado pode ser feliz com mais facilidade do que o que vê e pensa o mundo em escala maior. Ele não liga se alguém está morrendo de fome na Somália, de aids em Uganda, sendo morto nas guerras cívis do Oriente Médio ou perecendo em degradação na miséria das ruas das grandes cidades do Brasil. O alienado ignora as mazelas e vive no seu mundo, no qual tudo é perfeito e o único objetivo é se satisfazer, encaminhando assim felicidade, mesmo que seja falsa.
Eu jamais conseguiria ser assim, e muito menos depois de tudo pelo que eu passei nesse ano que está terminando. Aconteceram tantas tragédias pelo mundo, terremotos, erupções vulcânicas, furações, tempestades, genocídios, fome, doenças que carregaram embora milhões de vidas de pessoas que não tinham como escapar. Não se pode fechar os olhos quanto a isso. Esse tipo de coisa perturba demais quem pensa, quem é domindado pelas neuroses. Como qualquer ser humano com um mínimo de consideração por seu próximo, sempre senti um aperto na garganta ao ver desgraças tão grandes, onde a vida é desperdiçada em torrentes, mas depois de passar um ano de tormentos mentais, com tantas coisas me perturbando, passei a sentir ainda mais essas coisas, numa comoção mais intensa, com a sensação de que a vida ao mesmo tempo que é uma graça pode ser uma maldição, cruel e injusta.

Bem, tenho a impressão de que esse discurso todo não tem o menor sentido. E de fato creio que não deveria ter, já que o que eu mais quero agora é simplesmente falar e falar, sem me preocupar lá muito com coêrencia. Não sou nenhum portador da verdade, nem nínguem que dê conselhos ou tenha a fórmula para salvar o mundo; muito longe disso.

Desperdiçar chances foi o que eu mais fiz com toda a certeza. Não vou entrar em detalhes porque isso não vem ao caso, mas o que importa é que é muito causticante o remorso e a dúvida que ficam depois de não ter tentado, seja lá o que for.
Já me disseram que é um defeito meu muito sério achar que sempre a culpa é minha. Mas como eu não achar isso se é sempre mesmo minha? Eu estrago tudo o que eu consigo. Sou um perfeito idiota. Com amigos, com estudo, com trabalho, com tudo mesmo. Sou um fracassado completo e irrepreensível, cuja sina vai ser de amargar uma queda após a outra, e nos fim das contas acabar se conformando com tudo aquilo que queria evitar, fugir, deixar para trás. Dia após dia eu venho tendo mais certeza disso tudo.
Mas eu não vou desistir, se é para fracassar, que se facasse tentando, porque eu não consigo mais conviver com a sensação de ser um covarde.

Perdi de vez a confiança dos meus pais. Cada ato meu, cada coisa que eu digo, qualquer coisa, eles olham com desconfiança, com um pé atrás, me apoiando menos ainda do que antes. Me convenci de vez que a minha família me vê como um peso, como alguém indesejável e descartável.
Decididamente não posso prever como vou ser com os meus filhos um dia, mas o que eu sei, é que vou tentar ao máximo me esforçar para ser compreensivo, ouvir eles, tentar entende-los. Se nós não temos o apoio dos nossos pais, vamos ter o apoio sincero de mais quem?

Mas não posso afirmar que 2010 tenha sido de todo ruim. Fiz alguns novos amigos, e amigos incríveis eles. E junto com os já mais antigos, passei alguns bons momentos, que me deixaram alegre, e por menos tempo que essa alegria durasse, é uma sensação gratificante. Se vocês, meus caros, estiverem lendo essas linhas, saibam que são importantes demais pra mim.

E por fim queria agradecer a uma pessoa em especial. Não vou dizer nome, já que não sei se ela gostaria disso. Essa pessoa mudou minha vida, radicalmente. 2010 me fez mudar bastante, e grande parte disso deve-se a essa pessoa especial. Agradeço por ter feito acordar dentro de mim um lado que no fundo sabia que tinha, mas teimava em deixar de lado, soterrado sobre outras coisas, o lado mais sentimental. Passei tempo demais me achando um sujeito frio, sem entender os sentimentos mais acalorados da vida; só que agora, aos poucos, vou começando a compreender muitas coisas, e me descobrir alguém muito mais sentimental do que poderia supôr até um ano atrás.
Para essa pessoa parafraseo um agradecimento que vi em um episódio de Cold Case que mexeu bastante comigo: "Obrigado por me fazer sentir."

E mesmo que esses novos sentimentos que andam povoando minha cabeça sejam bastante pertubadores e inconvenientes, fico agradecido do mesmo jeito. Se você estiver lendo essas palavras tolas e sem muito nexo, eu te repito o que já tinha dito antes: eu te amo.
Eu não sei o que vai acontecer no futuro, que outras pessoas eu ainda vou encontrar, mas enquanto não encontrar outra pessoa que mexa comigo do mesmo jeito que você mexeu, eu vou continuar te amando, mesmo que isso seja algo que não deveria ser assim.

E pra terminar sobre isso, eu faço minhas as palavras do Paradise Lost em Grey:

"Calling out in shame
Silence engrained
Crying out your name
Something wrong but beautiful, so beautiful"
 
 
 
 
 
 
Enfim, espero que 2011 possa ser melhor. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ser adulto

Ontem a tarde eu estava fazendo uma coisa que   meu pai tinha me mandado fazer. De onde eu estava podia ver perfeitamente o pátio da casa da minha avó, onde meus tios faziam o serviço deles. E numa certa hora chega lá um primo meu de segundo grau que tem a mesma idade que eu, cujo com o qual não troquei mais que três palavras nos últimos dois anos.
Na maioria das vezes eu acredito que o meu pai preferiria que ele fosse seu filho e eu não, já que ele já tirou carteira, trabalha como um escravo, bebe, fala alemão, caça e se sente adulto (inclusive forçando a voz querendo deixa-la mais grossa do que de fato é), enquanto que eu não me misturo bem com os mais velhos, saio pouco de casa, não bebo, sei falar mais inglês do que alemão e gosto de livros.

Bem, isso de fato não me incomoda, já que é habitual. Mas o que me intriga é o conceito que algumas pessoas tem sobre "ser adulto". Observando esse primo meu, o que eu vejo é um comportamento patético e ridículo, de alguém que se faz do que não é para agradar os outros.
Ser adulto por acaso é poder beber e se achar o sujeito mais incrível do universo por ficar de porre? É falar grosso (no caso masculino)? É conduzir veículos motorizados? É conviver e puxar o saco de pessoas mais velhas, mesmo que ela te achem um idiota? Creio que não.
Essas coisas que listei acredito que sejam consequências das suas escolhas na vida adulta, não sua essência. No meu ponto de vista, ser adulto e ter o pleno controle de sua vida, saber o que faz e por que faz, saber e ter como levar sua vida com dignidade.

Muitos adolescentes querem ser adultos apenas pelo lado bom, pelas "liberdades", pelas facilidades e afins. Mas no momento em que é preciso encarar a dureza da vida e as responsabilidades que ser adulto implica, muitos perdem o controle, e se veem perdidos e sem rumo, sem saber como reagir. Ser adulto é muito mais que as aparências, muito mais que a saciação das nossas vontades e prazeres.
Vejo muitos contemporâneos dessa forma, sentindo-se os adultos porque ganham algum dinheiro e com isso podem fazer o que querem, farrear, comprar roupas, celulares e todo o tipo de badulaque ostensivo.
Eu não acredito que a felicidade esteja nisso, já que ostentando bens aos outros você prova coisas para eles, mas o que você prova para si mesmo? Duvido muito que seja uma grande satisfação pessoal ter isso ou aquilo, mais vale que os outros saibam, vejam; mas ter em momento algum é ser, e esses meus contemporâneos que já se acham adultos aos 15, que fazem o que querem quando querem sem regras, infelizmente acabam sendo pessoas muito vazias.

Eu tenho 18 anos e não posso em hipótese alguma querer me considerar adulto. Por razão de minhas seguidas falhas, ainda não consegui dar começo ao meu projeto de vida, ao que eu quero para o meu futuro. faço pequenas coisas aqui e ali, ganho algum dinheiro com o qual posso comprar algumas coisas pequenas e insignificantes, mas que deixam contente. Só que isso não faz de mim um adulto; sou um nada, um moleque ainda, que não consegue ainda dar seus próprios passos sozinho no mundo. Mas ao menos sou sincero comigo mesmo, e não busco me mascarar e me fazer de outra pessoa que não sou para agradar a sociedade e seus costumes. E enquanto que a minha hora não chegar, não me incomodo de dizer que não passo de um mero adolescente.





Creio que estas linhas não tenham sido bem construídas, me soam um tanto confusas e vazias. Mas enfim, não queria ficar tanto tempo sem escrever nada aqui, e mesmo encarando dias bem complicados queria dividir alguma coisa com quem por ventura passe os olhos por aqui.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Aborto

Realmente uma questão muito delicada, que envolve questões morias, éticas e vidas.
Nos últimos meses muito se comentou sobre esse tema, sendo ele usado como arma de persuasão eleitoral; levando muito mais para o lado da hipocrisia religiosa e conceitos ultrapassados do que para a lucidez e a forma como o mundo contemporâneo funciona.

Eu pessoalmente não acho que o aborto seja a melhor saída para uma gravidez indesejada, e portanto não sou favorável ao ato em si que consiste o aborto. Mas por outro lado, sou sim, e muito, favorável pela discrminalização dele. É uma bobagem enorme querer criminalizar a prática abortiva, já que sendo proíbido ou não, a mulher que estiver decidida a faze-lo (Ou mesmo quem obrigue ela a isso) vai fazer, indo atrás das famosas clínicas clandestinas (Aliás, semânticamente o termo 'clandestina' é desnecessário, já que sendo uma prática ilegal, todas são), pondo suas próprias vidas em risco. Além de tirar o direito de viver de uma criança, óbviamente.

Porém, é preciso às vezes colocar-se na posição de quem pensa em abortar. Talvez tão injusto quanto tirar o direito da vida de uma criança, seja despeja-la numa vida miserável, num mundo que não dá oportunidades justas e iguais, onde existe preconceito e segregação de todos os tipos. Com certeza que uma mulher aborta com uma dor enorme no peito, mas talvez para ela, isso seja melhor que não conseguir dar uma vida digna ao seu filho. Claro que esse não é o argumento dos mais concretos e válidos, já que exisitriam outras possibilidades de tal criança ter uma vida melhor, como a adoção, por exemplo; só que em muitos casos a desinformação e a ineficiência das instituições públicas que cuidam disso acabam levando mulheres desperadas a recorrem a esse método.

Acaba sendo muito mais uma questão de saúde pública, já que é possível imaginar quais são as condições das clínicas que fazem abortos. Sujas, mal equipadas, infectas, pondo em risco a vida da mãe também. Com a descriminalização e a criação de uma legislação que regulamente a prática do aborto, o risco para as mães despencaria, obrigando as clínicas a seguirem um padrão de limpeza, higiene e profissionalismo.
Seria melhor assim, mas há um porém nisso. De certa forma há o pensamento: "Em vez de morrerem dois morre um só". Infelizmente essa é a realidade do Brasil, onde apenas se remedia, nunca se previne.

Muito antes de se preocupar sobre aborto, os governantes deveriam se engajar em campanhas massivas de conscientização. E muito além do hipócrita sentido religioso da valorização da vida, que valoriza a reprodução como algo demasido importante, e que parece ignorar toda a quantidade de necessidades que ter filhos implica.
Já disse e não me incomodo em repetir: não sou moralista nem nada, mas vejo o mundo libertino demais. As pessoas fazem o que querem sem se preocupar com as consequências de seus atos. Falta cosnciência, responsabilidade. No dia que o simples ato de usar preservativo numa transa for compreendido e virar algo normal e corriqueiro, já teremos dado um passo gigantesco para acabar com essa conversa toda de aborto.

A vida é o nosso bem mais valioso, e pessoalmente acho errado privar outros seres humanos dela. Mas como existe livre árbítrio e cada um que se entenda com sua consicência mais tarde, precisamos encarar o aborto com mais lucidez e racionalidade do que a partir de dogmas pré-moldados por religiosos, pois a vida é muito mais complexa do que simplesmente viver.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Perspectivas





Baixei o disco que tem essa música mais ou menos um ano e meio atrás. Sempre foi a minha preferida do disco, mas não gostava muito da letra, que me soava forçada na época. Porém com o passar do tempo fui mudando de opinião acerca de dela.

Desde dezembro do ano passado venho lidando com alguns sentimentos que até então me eram absolutamente obscuros, e que sempre me faziam ter profunda desconfiança de textos e letras de músicas em tom afetivo, sobre amor, relacionamentos e afins.
De certa forma foi algo chocante para mim me ver começando a entender o que aqueles autores sentiam e pensavam sobre as coisas que escreviam. Me dei conta de que racionalismo e sentimentos não são coisas que conseguem conviver em harmonia, já que tudo o que se passou na minha cabeça durante esses últimos meses me deixou confuso, perturbado e muito mais neurótico do que de costume já era.

Mas essa música em especial se tornou reveladora definitivamente para mim há apenas algum tempo, depois de descobrir uma coisa que sacudiu de vez com todas as minhas convicções, com o que eu achava sobre mim mesmo; e num momento em que eu estava completamente mergulhado numa depressão corrosiva por causa do meu fracasso mais amargo.
Bem, dizer abertamente o que foi creio não ser certo e nem necessário, já que é algo que não compete só a mim, envolvendo outras questões de outras pessoas, cujas quais eu respeito.

E confabulando sobre isso tudo hoje pela manhã, fiquei pensando sobre perspectivas e pontos de vista. Eu tinha uma perspectiva sobre sentimentos completamente diferente há um ano atrás, me baseando apenas nas minhas meditações pessoais e observações do mundo que me circundava, mas sem ter alguma experiência concreta que me fizesse comprovar essas ideias. E no momento que essa experiência aconteceu, se é que posso chamar o que se passou disso, lenta e gradativa, me obriguei a rever todos os meus conceitos, pensar melhor minha condição emotiva. Tentando não soar piegas, eu acredito que acabei achando uma parte de mim que passou quase toda a minha vida escondida num canto escuro do meu ser.
Então chego na conclusão de que a verdade pessoal de alguem (não uma verdade universal e inquestionável, mas sim algo que essa pessoa acredite e confie piamente) depende do seu ponto de vista, suas ideias e sua vivência, sendo essas características inerentes umas as outras.

Uma pessoa não vai poder mudar de ideia sobre alguma convicção sem que vivencie algum fato que o faça refletir sobre suas crenças, seja sobre alguma coisa ou sobre si mesmo. Eu aprendi isso da pior forma, e ainda aliado com todas as minhas angustias e incertezas, acabou me proporcioandno tempos bem complicados.
Sim, tempos complicados, mas que eu não iria quer apagar da minha vida. Tento ao máximo entender a maioria das coisas difíceis que me acontecem como formas de evoluir como ser humano, e todas as perturbações pelas quais passei (e ainda passo, não vou mentir) aos poucos me fazendoa entender melhor a vida, e me mostrando caminhos melhores a seguir. Claro que muitas vezes ( maioria delas, eu diria) fico pra baixo tem a certeza que vou fracassar em tudo na vida, que sou um fraco sem correção e que nunca vou poder me considerar "um homem de verdade". E eu de fato não sei o que vai ser de mim no futuro.

Mas apesar dos fracassos anunciados não vou deixar de tentar, e vou na onda do Dream Theater na bela música 'Learning to Live' do clássico "Images and Words:"

"I'm learning to live
I won't give up
'Till I've no more to give"








Bônus: confiram o post novo da minha amiga Vânia
no Tem espaço na Van
Tá bem legal!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os Servos de Deus

Volta e meia estou eu aqui criticando religião. Mas assim como critico, preciso prestar respeito a exemplos verdadeiros de boa fé e bons sentimentos para com quem consegue fazer algo realmente concreto dos ensinamentos de alguma religião.
Nas linhas a seguir quero comentar sobre um dos livros mais belos e sensíveis que eu já tive a oportunidade de ler: "Os servos de Deus" da autora anglo-americana Taylor Caldwell.

O livro começa com uma mulher contando ao seu marido sobre uma noite de sua infância na casa de sua avó, que oferecia um jantar a onze sacerdotes (católicos, anglicanos, presbiterianos e afins). E em meio a esse jantar, os sacerdotes contam suas histórias; e nisso gira toda a ideia do livro.
São todas histórias de superação, redenção, preconceitos, de amor ao próximo, de como os preceitos cristãos podem ser aplicados sem distorções, sem mesquinharias e que ainda podemos ter esperança (mesmo que eu considera esta última algo bem complicado em alguns casos, mas isso é uma outra história que não vem ao caso).

Histórias singelas, em paisagens britânicas melancólicas, perdidas nas entranhas cinzas daquelas terras; de homens verdadeiros, que mesmo com todos os seus defeitos, empecilhos, barreiras, dificuldades e medos são capazes de fazer o possível e o impossível (literalmente) para ajudar quem precisa.
O que mais me tocou nessas histórias, é a completa falta de apologia a essa ou aquela religião. Em momento algum se tenta convencer o leitor a seguir alguma doutrina, de que religião X é a correta e Y é a errada. Não, muito pelo contrário.

Uma das histórias mais marcantes é a talvez mais curta, e que se não estiver enganado, se chamava "O Gueto". Num trem estavam um padre católico e  um pastor presbiteriano, discutindo amigavelmente sobre suas doutrinas. Nisso entra um tipo que ambos consideram muito estranho, de barba longa, que não conseguia falar direito inglês e tentava atrapalhadamente pedir informações a eles. Existem mais alguns detalhes no decorrer do causo sobre o homem falando sobre Deus que infelizmente eu não consigo me recordar. Porém o desfecho tenho em mente como se tivesse lido aquilo ontem a noite: quando o homem estranho desce do trem os outros dois ficam a falar mal deste, dizendo que aquele que mais parecia um mendigo não poderia saber nada sobre Deus. Porém, logo eles descobriram que o estranho homem que não sabia falar inglês era na verdade um  importante rabino, logo, um homem de Deus assim como eles.

O livro não promete nada. Não é revelador, cheio de verdades contundentes ou vai mudar radicalmente sua vida. Não, não mesmo. São apenas história de fé, e como a fé pode fazer coisas incríveis, independentemente de qual religião você segue (ou não). Best-Seller's do tipo "A Cabana" podem ser bons livros até, mas são megalomaníacos, exagerados, e que querem forçar o leitor a seguir alguma coisa como se esta fosse a grande e misteriosa verdade da vida. Porém, estes jamais terão a sensibilidade e a profundidade de histórias de homes e mulheres de verdade, de carne e osso, que choram e tem medo como os quais cruzamos nas ruas todos os dias (digo isso na questão de como lidar com a vida, as angustias mais profundas, os medos mais primários, já que não seria certo comparar nossa sociedade com a onde essas histórias se passaram).

Enfim, tento nunca generalizar quando faço críticas a instituições religiosas, e sempre lembro desse livro nisso. As pessoas do mundo real, do dia-a-dia, longe dos grandes, ricos e luxuosos centros religiosos podem dar os exemplos mais reais de como ser um cristão, por menores que sejam, sem brilho nem fama, mas que de fato são as coisas que poderiam mudar o mundo.

Eu diria que trata-se um leitura obrigatória para quem é leitor mais seletivo e não se deixa impressionar com histórias mirabolantes sobre Deus.



Taylor Caldwell

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Caixinha mágica

A televisão decididamente não para de me surpreender com suas vasta gama de inútilidades.
Ontem em mais um corriqueiro momento de insônia me vejo diante ao aparelho acompanhando o Jornal da Globo. Na volta de um intervalo a apresentadora começa dizendo algo mais ou menos assim: "Depois da eleição de Dilma Roussef, a primeira mulher a vencer uma eleição para presidente no Brasil, ficou uma dúvida no ar que deixa muitas pessoas curiosas: se diz 'a presidente' ou 'a presidenta'?". Na sequência passou uma reportangem com opiniões de populares, professor de português e até o nosso velho amigo dicionário foi chamado para sanar tão primordial questão meta-linguística.

Tendo visto isso me perguntei o que diabos isso interessa para o futuro da nação?

É verdade que o nosso belo português é absurdamente mal tratado por todos os lados, e que os meios de comunicação tem por dever passar algo cultural, que enriqueça o intelecto de seus telespectadores, e gramática podia ser sim algo muito útil. Mas a forma como essa informação foi passada, com um argumento tão estúpido, vazio, parecendo que estavam chamando quem via de idiota.
Talvez eu esteja sendo exagerado, admito, mas realmente tal demonstração de falta de interesse de passar alguma informação realmente importante me deixou devéras descontente.

A industria televisa é um negócio altamente lucrativo. Mexer com massas, moldar seus pensametos, suas personalidades pode trazer um retorno fincanceiro enorme, além aliena-las para crerem que isso ou aquilo é o correto por que eles dizem, não por ser uma conclusão cuja na qual o indíviduo chegou após PENSAR. Pensar. Essa é a apalvra chave.
Até algumas décadas atrás o principal meio de comunicação era o rádio, com seus pomposos musicias, noticiários grandiosos, novelas apenas narradas e várias outras coisas. Tendo apenas o som, as pessoas eram obrigadas a imaginar as cenas descritas, usar sua imaginação, botar o cérebro para funcionar no intuíto de obter algo mais que simplsmente a informação passada. Mas com o advento da televisão nos anos 50 essa relação mudou. Onde havia uma ideia "moldável" passada pelo rádio onde o ouvinte deveria completa-la com a imaginação, passa a haver um produto pronto, enlatado e de fácil consumo dado pela televisão.
A junção de imagem e som com temas fúteis e vagos de gosto das massas pouco intruídas (espero que isso não soe preconceituoso, que não é o caso) foi o maior alienador do século passado. Tudo ficou fácil, acessível, era apenas absorver o que dito e mostrado, não era mais necessário pensar para obter alguma conclusão, já que eles eram nos dadas já prontas.

Realmente me assusto quando me deparo com algumas coisas. Um exemplo recente: terça-feira agora, no intervalo de um jogo de basquete que assistia, fiquei zapeando os canais, e no sensacional programa Superpop da PHD em física astro-química Lucinana Gimenez estavam duas funkeiras, uma atriz pornô, um pastor adventista, um padre e um "comentarista" de televisão discutindo eleições e a validade da pornografia como arte. A cena me pareceu no mínimo escatológica. Fiquei observando aquilo por alguns minutos, sentindo meus poucos neurônio irem derretendo de tantos absurdos ditos.
Não consigo entender como alguem consiga assistir àquilo e achar bom.

E o nteressante é que dois canais acima é a TV Escola, que no momento passava um documentário sobre literatura brasileira bastante interessante. Me dá desgosto ver canais tão bons como a Tv Escola, Futura, Tv Brasil, Cultura serem simplsmente ignorados por uma parcela muito grande da sociedade.
Já perdi as contas de quantos filmes maravilhosos vi na Sessão Cine Conhecimento do Futura, quantos documentários incríveis da Tv Escola, quantas entrevistas reveladoras no Roda Viva da Cultura e por aí vai...
E enquanto isso pessoas ouvem funk e discutem se pornografia é arte.

Provavelmente não seja só interesse das corporações midiática, mas também governos (uso o plural, já que não acuso apenas um, mas todos) acham melhor que o povo seja ignorante e alienado, para serem mais facilmente enganados, iludidos e explorados para seus fins gananciosos.

E além de toda essa questão prática, a teoria que ocorre na cerne pessoal, na mente, no íntimo, também me faz crer que a Tv seja um mal. Muitas vezes me pego pensando que o meu pior defeito é pensar demais, e que a porta para ser feliz é a alienação. Sou um deprimido neurótico que não para de pensar um minuto. Mas sinceramente, acho melhor ser assim, cheio de complexos e corroído por dúvidas cruéis, mas que enxerga com os próprios olhos e que usa a própria cabeça, do que ser um fantoche tolo e feliz nas mãos de seres baixos, mesquinhos e que sustentam um sistema pútrido e decadente que se tornou a civilização humana, esquecendo que existe um mundo gigantesco ao seu redor.

A magia desta caixa é um feitiço perigoso, que pode a qualquer momento uma maldição muito pior do que não ser "feliz".

E faço meu o conselho daquele canal musical em seus tempos áureos (que jazem num passado distante):