Segundo a Constituição Federal de 1988 o Estado brasieliro é laico, ou seja, não tem qualquer vinculação com entidade religiosa ou assume alguma religião como sendo "oficial" da nação, também garantindo liberdade de culto religioso sem discriminação a todos os cidadãos.
Na teoria isso até que de fato acontece, porém no cotidiano das pessoas comuns e dos poderosos com intenções políticas, não é exatamente assim.
O pensamento do brasileiro médio ainda é colonial. E sendo desta forma, é fortemente ligado à religião, em sua grande maioria a católica. Mas como nas últimas décadas os movimentos tidos por evangélicos, pentecostais, ou qualquer uma das inúmeras definições que existem, creio ser mais correto e coerente então me usar da nomeclatura "cristã" para abordar a ideia destas linhas.
Mas como dizia, vivemos em uma época onde o pensamento persiste em ser colonial, baseado em preceitos morais e religiosos que ditaram regras durante séculos. Isso se nota perfeitamente na nossa prieira constituição, promulgada em 1824 pelo Imperador D. Pedro I, onde a Igreja Católica era vinculada e subordinada ao Estado, tendo o monarca plenos depoderes de indicar religiosos aos cargos mais elevados na hierarquia da Igreja. E mesmo da suposta modernização promovida pela nova constituição no já referido ano de 1988, muitos governantes se utilizam da influência de líderes religiosos para obter suas áreas de poder, isso quando os próprios líderes religiosos não tem pretensões de assumirem cargos públicos.
E o debate sobre a laicidade do Estado se acentuou de maneira bastante intensa nas últimas semanas. A campanha eleitoral de ambos os candidatos que disputam o segundo turno tem batido muito na tecla da legalização do aborto e do casamento homesexual, duas questões que são tabus para uma considerável parcela da população, justamente a que se prende em todo o moralismo religioso e que tem pensamento colonial.
Mas o problema de verdade é a volatilidade dos candidatos para agradar essa parcela nada laica; em certo ponto dos discursos para o prmeiro turno muito se falou na possibilidade de ser aprovada a lei do aborto e de permitir que pessoas do mesmo sexo possam se casar. Mas observando que a hipócrita indignação dos moralistas foi intensa, e que a candidata que vinha mais atrás nas pesquisas estava arrebanhando aqueles eleitores, o discurso tratou de mudar no primeiro instante após o pleito do dia 3 deste mês.
Isso não é democracia. O Brasil não tem democracia. O que se entende por isso neste nosso paraíso tropical não passa de instrumento de dominação e de obtenção de poder. Agradar um segmento em detrimento a outro, tendo em vista fins eleitoreiros, é simplesmente segregatório, já que se tem em mente que um grupo (o que me dá apoio e mefaz vencer a eleição) é superior ao outro (minoria que não me faz diferença); e princpipalmente se isso for por causa religiosa, pois fere profundamente o ideal de laicidade do estado.
Nossos políticos são completamente desprovidos da nobre arte da dialética. Campanhas são feitas de acusações e calúnias, ao mesmo tempo que vemos debates onde os dizeres são pobres, mal construídos e vazios de profundidade ideológica. Desta forma, sem ter a maneira intelectual de convencer eleitores de suas "propostas" eles muito espertamente se utilizam dos mais diversos artifícios corruptivos, que englobam as antiquíssimas trocas de favores materiais e nosso caso atual a manutenção de legislações baseadas em preceitos morais que partiram da Igreja em algum momento da história. (NOTA: mesmo esse tal de crisitianismo não costumando dar lá muitos exemplos de moralidade. Curioso, não?)
Essa minha ladainha toda vai do nada ao lugar nenhum, bem sei. Essas palavras todas não vão surtir o menor efeito se não houver uma revolução em todo o modo de ensino nesse país (certa feita li um livro de filosofia e me dei conta que doze anos de escola foram completamente inúteis), que cause uma mudança drástica de mentalidade nas novas gerações, que não se deixem iludir por conversas vazias e que tenham autonomia intelectual de poderem pensar e decidir quais o melhores representantes para gerirem nossa nação.
Um adendo: piadas de internet podem ser infames em muitos casos, mas quase sempre tem algum fundo de verdade.
Li essa e achei uma obra:
É CONTRA O ABORTO? Não aborte
É CONTRA O CASAMENTO HOMOSEXUAL? Não case com alguem do mesmo sexo.
E AGORA PARA DE ENCHER O SACO!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Sexo e álcool
Dia desses vi um filme assaz curioso na tv. De fato, o nome eu nem lembro, mas a história do mesmo era tão clichê que o enredo é fácilmente lembrado: adolescentes querendo comprar bebida alcóolica para levar a uma festa, para que em troca disso supostamente conseguissem sexo. A típica comédia americana besta, que se apega em clichês muito verdadeiros sobre os adolescentes contemporâneos.
Vendo as cenas deprimentes de um cara gordo de filosofia absolutamente machista e que crê piamente que sexo é o único motivoda existência, fiquei pensando sobre o porquê de tanta gente achar isso.
Nos últimos tempos venho me descobrindo mais romântico do que poderia supôr, mas mesmo muito antes disso jamais consegueria me imaginar saindo à noite atrás de sexo. Mesmo na minha frieza racional, sempre considerei sexo (o do mundo real, não me venham com pornografia, por favor) como algo que deva envolver não simplesmente a atração carnal, a vontade de saciar a lascícvia e um mero objeto de prazer, mas sim um mínimo de sentimento; amor, que seja.
Não quero bancar o moralista, o defensor dos bons costumes e caçador de hereges, óbviamente que não. Mas tanta libertinagem, prazeres efêmeros, banalizações de coisas belas e verdadeiras, faz com que algo que expresse amor e sentimento de afeto se torne vazio, sem sentido, um simples desejo primitivo, escancarando de vez o lado irracional do ser humano.
E de fato o álcool é o instrumento mais difundido para a conquista sexual. Pessoalmente, creio que isso denote a inerente fraqueza humana, de inteligência, de caráter e de evolução. Convenhamos, precisando deixar a garota de porre pra conseguir transar com ela, é porque não se tem a mínima capacidade de o conseguir com a mesma sóbria.
Álcool dá confiança, solta, faz as vergonhas se apequenarem (mentiras tão doces...). Essas convicções que endeusam a bebida são mais opressoras que qualquer senhor de escravos. Não creio que se sinta livre e feliz quem não vive sem beber ou sem estar constante atrás de uma transa descompriomissada; tudo isso não passa da escravidão da libertinagem (Como já escrevi por aí, liberdade não é a mesma cisa que libertinagem).
Muita gente reclama da juventude de hoje, querendo dela os mesmo ideias revolucionários de décadas passadas. Mas se formos analisar, o que as gerações de jovens do passado conseguiram? O amor livre não prosperou depois dos anos 70, a Guerra do Vietnã não teve fim por causa dos protestos, os caras pintadas brasileiros foram uma farsa deslavada.... Ou seja, o que é um ideal revolucionário na verdade? Buscar o que seja do seu interesse? Mudar o mundo? Contruir uma sociedade melhor? Na minha opinião inútil, simplesmente é utopia.
Não consigo ver em Woodstock nada mais que uma enorme festa de libertinagem, onde tudo e absolutamente tudo é permitido. Esse marco criou toda uma geração de tolos utópicos, que propagam ideias impensáveis e que jamais serão concretas. Infelizmente o mundo tem regras, e liberdade sem limites é um problema, já que nos tornamos escravos de nossos impulsos. Limites e regras são fundamentais para a felicidade (isso soa à Kant, mas enfim).
Minha faceta de velho fala muito mais alto quanto a essa história toda. Sexo casual é uma coisa que decididamente não me entra na cabeça. Não sei se isso é por pragamatismo metódico ou doses de romantismo recém adquiridas, mas o que de fato é verdadeiro, é que toda a minha geração de contemporâneos me aparecem como um enorme pandemônio de ode ao álccol, à luxúria e aos prazeres efêmeros, em completa detração ao que poderia trazer algo infinitamente mais forte e duradoura: felicidade de verdade.
Ah, e fo fim do filme foi sensacional: a garota com a qual o gordo queria transar (que deu a festa e pediu pra comprar bebida) disse que não gostava de beber e que não queria nada com ele.
Em mente me surgiu um enorme: TOMA!
Vendo as cenas deprimentes de um cara gordo de filosofia absolutamente machista e que crê piamente que sexo é o único motivoda existência, fiquei pensando sobre o porquê de tanta gente achar isso.
Nos últimos tempos venho me descobrindo mais romântico do que poderia supôr, mas mesmo muito antes disso jamais consegueria me imaginar saindo à noite atrás de sexo. Mesmo na minha frieza racional, sempre considerei sexo (o do mundo real, não me venham com pornografia, por favor) como algo que deva envolver não simplesmente a atração carnal, a vontade de saciar a lascícvia e um mero objeto de prazer, mas sim um mínimo de sentimento; amor, que seja.
Não quero bancar o moralista, o defensor dos bons costumes e caçador de hereges, óbviamente que não. Mas tanta libertinagem, prazeres efêmeros, banalizações de coisas belas e verdadeiras, faz com que algo que expresse amor e sentimento de afeto se torne vazio, sem sentido, um simples desejo primitivo, escancarando de vez o lado irracional do ser humano.
E de fato o álcool é o instrumento mais difundido para a conquista sexual. Pessoalmente, creio que isso denote a inerente fraqueza humana, de inteligência, de caráter e de evolução. Convenhamos, precisando deixar a garota de porre pra conseguir transar com ela, é porque não se tem a mínima capacidade de o conseguir com a mesma sóbria.
Álcool dá confiança, solta, faz as vergonhas se apequenarem (mentiras tão doces...). Essas convicções que endeusam a bebida são mais opressoras que qualquer senhor de escravos. Não creio que se sinta livre e feliz quem não vive sem beber ou sem estar constante atrás de uma transa descompriomissada; tudo isso não passa da escravidão da libertinagem (Como já escrevi por aí, liberdade não é a mesma cisa que libertinagem).
Muita gente reclama da juventude de hoje, querendo dela os mesmo ideias revolucionários de décadas passadas. Mas se formos analisar, o que as gerações de jovens do passado conseguiram? O amor livre não prosperou depois dos anos 70, a Guerra do Vietnã não teve fim por causa dos protestos, os caras pintadas brasileiros foram uma farsa deslavada.... Ou seja, o que é um ideal revolucionário na verdade? Buscar o que seja do seu interesse? Mudar o mundo? Contruir uma sociedade melhor? Na minha opinião inútil, simplesmente é utopia.
Não consigo ver em Woodstock nada mais que uma enorme festa de libertinagem, onde tudo e absolutamente tudo é permitido. Esse marco criou toda uma geração de tolos utópicos, que propagam ideias impensáveis e que jamais serão concretas. Infelizmente o mundo tem regras, e liberdade sem limites é um problema, já que nos tornamos escravos de nossos impulsos. Limites e regras são fundamentais para a felicidade (isso soa à Kant, mas enfim).
Minha faceta de velho fala muito mais alto quanto a essa história toda. Sexo casual é uma coisa que decididamente não me entra na cabeça. Não sei se isso é por pragamatismo metódico ou doses de romantismo recém adquiridas, mas o que de fato é verdadeiro, é que toda a minha geração de contemporâneos me aparecem como um enorme pandemônio de ode ao álccol, à luxúria e aos prazeres efêmeros, em completa detração ao que poderia trazer algo infinitamente mais forte e duradoura: felicidade de verdade.
Ah, e fo fim do filme foi sensacional: a garota com a qual o gordo queria transar (que deu a festa e pediu pra comprar bebida) disse que não gostava de beber e que não queria nada com ele.
Em mente me surgiu um enorme: TOMA!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Nada é eterno
Me deparei com estas palavras do poeta romano Ovídio, em seu livro Metamorfoses, e depois de divagar sobre o tema do post anterior, faço minhas suas palavras:
"Não há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só
apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um
movimento contínuo, como um rio... O que foi antes já não é, o que não
tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do
fim, caminhar para o dia, e à claridade do dia suceder a escuridão da
noite... Não vês as estações do ano se sucederem, imitando as idades de
nossa vida? Com efeito, a primavera, quando surge, é semelhante à criança nova... A planta nova, pouco vigorosa, rebenta em brotos e enche
de esperança o agricultor. Tudo floresce. O fértil campo resplandece com
o colorido das flores, mas ainda falta vigor às folhas. Entra, então, a
quadra mais forte e vigorosa, o verão: é a robusta mocidade, fecunda e
ardente. Chega, por sua vez, o outono: passou o fervor da mocidade, é a
quadra da maturidade, o meio-termo entre o jovem e o velho; as têmporas
embranquecem. Vem, depois, o tristonho inverno: é o velho trôpego, cujos
cabelos ou caíram como as folhas das árvores, ou, os que restaram, estão
brancos como a neve dos caminhos. Também nossos corpos mudam
sempre e sem descanso... E também a Natureza não descansa e,
renovadora, encontra outras formas nas formas das coisas. Nada morre no
vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados... Todos os seres
têm sua origem noutros seres. Existe uma ave a que os fenícios dão o
nome de fênix. Não se alimenta de grãos ou ervas, mas das lágrimas do
incenso e do suco da amônia. Quando completa cinco séculos de vida,
constrói um ninho no alto de uma grande palmeira, feito de folhas de
canela, do aromático nardo e da mirra avermelhada. Ali se acomoda e
termina a vida entre perfumes. De suas cinzas, renasce uma pequena fênix,
que viverá outros cinco séculos... Assim também é a Natureza e tudo oque nela existe e persiste."
"Não há coisa alguma que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só
apresenta uma imagem passageira. O próprio tempo passa com um
movimento contínuo, como um rio... O que foi antes já não é, o que não
tinha sido é, e todo instante é uma coisa nova. Vês a noite, próxima do
fim, caminhar para o dia, e à claridade do dia suceder a escuridão da
noite... Não vês as estações do ano se sucederem, imitando as idades de
nossa vida? Com efeito, a primavera, quando surge, é semelhante à criança nova... A planta nova, pouco vigorosa, rebenta em brotos e enche
de esperança o agricultor. Tudo floresce. O fértil campo resplandece com
o colorido das flores, mas ainda falta vigor às folhas. Entra, então, a
quadra mais forte e vigorosa, o verão: é a robusta mocidade, fecunda e
ardente. Chega, por sua vez, o outono: passou o fervor da mocidade, é a
quadra da maturidade, o meio-termo entre o jovem e o velho; as têmporas
embranquecem. Vem, depois, o tristonho inverno: é o velho trôpego, cujos
cabelos ou caíram como as folhas das árvores, ou, os que restaram, estão
brancos como a neve dos caminhos. Também nossos corpos mudam
sempre e sem descanso... E também a Natureza não descansa e,
renovadora, encontra outras formas nas formas das coisas. Nada morre no
vasto mundo, mas tudo assume aspectos novos e variados... Todos os seres
têm sua origem noutros seres. Existe uma ave a que os fenícios dão o
nome de fênix. Não se alimenta de grãos ou ervas, mas das lágrimas do
incenso e do suco da amônia. Quando completa cinco séculos de vida,
constrói um ninho no alto de uma grande palmeira, feito de folhas de
canela, do aromático nardo e da mirra avermelhada. Ali se acomoda e
termina a vida entre perfumes. De suas cinzas, renasce uma pequena fênix,
que viverá outros cinco séculos... Assim também é a Natureza e tudo oque nela existe e persiste."
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
O Vazio de Existir
Ao Fim De Tudo
Cidadão Quem
Composição: Duca LeindeckerEu já me transformei em pó
E os meus gritos não se escutam mais
Estão na direção do Sol
Meu futuro não me assusta ou faz
Correr pra desprender o nó
Que me amarra a garganta e traz
O vazio de viver só...
Se alguém encontrou um sentido para a vida, chorou
Por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo transformando o silencio que até então é mudo
Naquela canção,
que parece encontrar a razão
Mas que ao final se cala frente ao tempo que não para frente a nossa lucidez.
Decididamente o Duca Leindecker é o meu letrista favorito. Uso de novo uma letra sua como exemplo para uma ideia.
A primeira vez que eu ouvi essa música fiquei muito tempo refletindo sobra sua questão central. De certa forma senti meu estomago embrulhado, com uma enorme sensação de vazio. Pensar sobre a vida (frase esta num sentido muito menos retórico que o convencional) pode ser torturante, querer entender a razão de passarmos pelo mundo para simplesmente morrermos para depois de muitos anos sejamos esquecidos faz com que possamos nos achar reduzimos a simplesmente uma obra do acaso cósmico, da dança química dos aminoácidos e material genético.
Pode-se notar que não sou alguem apegado em religião, logo as "explicações" dadas por entidades religiosas para nossas existências mundanas não me satisfazem nem um pouco. Mas de qualquer forma, para muitas pessoas, essas respostas soam reconfortantes, como uma luz em meio a escuridão da falta de sentido de viver. E talvez seja esse "conforto" que não me satisfaça; parece simples demais, fácil demais, uma ideia demasiada mastigada. Uma verdade escondida, uma força superior que nos comanda, que se encarrega de nossos destinos. Não é algo que pareça concreto.
Mas pois bem, isso é um paradoxo. A ideia de resposta passa por algo que estaria supostamente escondido, de talvez algum motivo superior que esteja fora do alcance de nossas mentes arcaicas. Mas esses pressupostos eu nego na filosfia religiosa, como vazios e inconsistentes. Ao que parece, buscam-se verdades que não existem.
Mas como o homem é inquieto, e está sempre atrás de verdades, razões, motivos, a busca segue, incessante, interminável e que provavelmente nunca trará frutos que satisfaçam essa ânsia pela questão mais antiga que aflige os pensadores: "Qual o sentido da vida?"
Talvez a única resposta que se torne plausível seria a de que a razão da vida é ela própria. Faz sentido até, mas definitivamente não satisfaz.
Mas por outro lado, o verso da música que diz "Se alguém encontrou um sentido para a vida, chorou
Por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo transformando o silencio que até então é mudo" é absolutamente reveladora.
A vida pode ser boa, aproveitada de forma que possa ter valido a pena, mesmo não tendo o menor sentido. Então nós perdemos muitas coisas ao morrer, e seria ainda mais doloroso partir desse mundo se não conseguíssimos atingir o tal "motivo de viver", a perda seria ainda maior ao fim de tudo. Provavelmente a vida não necessite de uma razão específica de ser; talvez seja mesmo apenas um acaso, um resultado aleatório de fatores misturados ao longo das eras.
Então o que nos sobra para fazer? Ora, nada mais que viver. Procurar por respostas, mesmo que elas não existam, é uma sina humana, da qual jamais nos veremos livres. Mas tentando não levar isso tão a sério, não se torturando tanto, creio que se deva levar a vida até onde for possível, da melhor forma que der. A morte é inevitável, e sendo assim, seria interessante poder entregar-se em seus braços sem nenhum remorso da vida, com a sensação de a vida ter sido boa.
De fato, a vida tem tanto sentido quanto estas linhas. Ou seja: nenhum.
NOTA:
Ando pensando demais em perguntas. Coisas da idade, provavelmente.
sábado, 4 de setembro de 2010
"E se...?"
Existem perguntas absolutamente pertubadoras. Já tinha escrito aqui que uma delas é "Quem é você?", talvez a mais complicada de responder e que causasse mais sufocamento e opressão.
Mas nos últimos dias (meses, dependendo do ponto de vista) venho me deparando com uma questão que seja tão opressora quanto: "E se..?". As reticências são um simples generalizador, já que existe uma especificidade que não vem ao caso comentar, e também porque para essa pergunta as especificidades são detalhes absolutamente pessoais.
Nossas escolhas podem ser cruéis; nem tanto pela opção em si, mas sim por causa da dúvida que elas nos provocam sobre como as coisas teriam acontecido se fossem feitas de modo diferente. E isso se enquadra em qualquer tipo de situação, em inúmeos campos da existência, mas causando uma sensação muito causticante.
Quero me ater num ponto mais concreto: o que se relacionada com a covardia.
No âmbito das escolhas pelo menos existe um amenizador, já que se teve a escolha, se tomou uma decisão que causou uma consequência; logo, não teve nadade covarde. Pode ter sido certo ou errado, resultou em bônus ou ônus, mas ao menos houve a personalidade de se tentar.
Mas quando o que impera é a covardia, o medo, a incerteza, a situação muda drasticamente de figura. A sensação de não ter TENTADO é torturante. E nisso, mesmo tentando ao máximo evitar, o "E se..?" surge amargo, cruciante e completamente pertubador.
É uma espécie de dor, num sentido menos intenso da palavra. Vem a tona todas fraquezas, as incertezas e medos se escancaram gritantemente, a auto-estima despenca e ideias depressivas se tornam companheiras corriqueiras. Levando em consideração as individualidades comuns aos seres humanos, as reações para esses sentimentos variam muito; existem aqueles que se consomem, que se culpam demais e acabam perdendo a vida para suas incertezas. Há aqueles que conseguem de alguma forma mascarar, mas que estão se enganando. Alguns se culpam, se deprimem e se acham completos idiotas, mas que de alguma forma tentam seguir em frente, encarando a amargura das dúvidas com uma espécie de aprendizado.
Eu tento ao máximo me enquadrar neste último tipo.
Nos últimos meses minha vida vem se resumindo a empilhar frustrações, angústias, remorsos e essas dúvidas recorrentas da covardia, e exatamente por isso tento encarar cada rasteira que levo de minhas escolhas como uma lição, uma aprendizado a ser levado para a vida. Entrego minhas horas de insônia diárias a refletir sobre essas coisas, me deixando consumir, me culpando enormemente, isentando qualquer outra pessoa de responsabilidades por tantos fracassos além de mim mesmo. Tudo isso é factual e inegável, mas eu acabaria realmente louco se não tivesse um mínimo de confiança que isso tudo serve como prova, para que quando a maturidade chegar de fato, eu consiga ser um homem melhor que esta adolescente tão diferente dos outros (que tem os mesmo problemas dos demais, só que refletidos em outros espelhos), cheio de remendos no espírito.
O jeito é tentar seguir o conselho que o Angra nos dá em Carry On:
Mas nos últimos dias (meses, dependendo do ponto de vista) venho me deparando com uma questão que seja tão opressora quanto: "E se..?". As reticências são um simples generalizador, já que existe uma especificidade que não vem ao caso comentar, e também porque para essa pergunta as especificidades são detalhes absolutamente pessoais.
Nossas escolhas podem ser cruéis; nem tanto pela opção em si, mas sim por causa da dúvida que elas nos provocam sobre como as coisas teriam acontecido se fossem feitas de modo diferente. E isso se enquadra em qualquer tipo de situação, em inúmeos campos da existência, mas causando uma sensação muito causticante.
Quero me ater num ponto mais concreto: o que se relacionada com a covardia.
No âmbito das escolhas pelo menos existe um amenizador, já que se teve a escolha, se tomou uma decisão que causou uma consequência; logo, não teve nadade covarde. Pode ter sido certo ou errado, resultou em bônus ou ônus, mas ao menos houve a personalidade de se tentar.
Mas quando o que impera é a covardia, o medo, a incerteza, a situação muda drasticamente de figura. A sensação de não ter TENTADO é torturante. E nisso, mesmo tentando ao máximo evitar, o "E se..?" surge amargo, cruciante e completamente pertubador.
É uma espécie de dor, num sentido menos intenso da palavra. Vem a tona todas fraquezas, as incertezas e medos se escancaram gritantemente, a auto-estima despenca e ideias depressivas se tornam companheiras corriqueiras. Levando em consideração as individualidades comuns aos seres humanos, as reações para esses sentimentos variam muito; existem aqueles que se consomem, que se culpam demais e acabam perdendo a vida para suas incertezas. Há aqueles que conseguem de alguma forma mascarar, mas que estão se enganando. Alguns se culpam, se deprimem e se acham completos idiotas, mas que de alguma forma tentam seguir em frente, encarando a amargura das dúvidas com uma espécie de aprendizado.
Eu tento ao máximo me enquadrar neste último tipo.
Nos últimos meses minha vida vem se resumindo a empilhar frustrações, angústias, remorsos e essas dúvidas recorrentas da covardia, e exatamente por isso tento encarar cada rasteira que levo de minhas escolhas como uma lição, uma aprendizado a ser levado para a vida. Entrego minhas horas de insônia diárias a refletir sobre essas coisas, me deixando consumir, me culpando enormemente, isentando qualquer outra pessoa de responsabilidades por tantos fracassos além de mim mesmo. Tudo isso é factual e inegável, mas eu acabaria realmente louco se não tivesse um mínimo de confiança que isso tudo serve como prova, para que quando a maturidade chegar de fato, eu consiga ser um homem melhor que esta adolescente tão diferente dos outros (que tem os mesmo problemas dos demais, só que refletidos em outros espelhos), cheio de remendos no espírito.
O jeito é tentar seguir o conselho que o Angra nos dá em Carry On:
"So, carry on,
There's a meaning to life
Which someday we may find...
Carry on, it's time to forget
The remains from the past, to carry on"
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Liberdade?
Dias difíceis. Uma espera longa vai chegando no final, mas o caminho tem sido árduo, doloroso. Aos poucos vou conseguindo vislumbrar os contornos do semblante da liberdade, e cada dia que passa vou vendo mais longe todos os fantasmas que me atormentaram ao longo dos anos. Mas alguns deles continuam sem descanso, buscando me perseguir até o último instante. E o pior deles, sem sombra de dúvida, é a rejeição da família.
Eles nunca conseguiram me enganar com os elogios por ser bom aluno, por não causar problemas aos meus pais, por ser comportado e educado com as pessoas em geral. Tudo isso nada mais fora do que mentiras convenientes, bases da sólida e eterna hipocrisia que envolve essa instituição chamada família.
Olhares entregam muito mais sobre opiniões do que palavras. E foram tantos os olhares atravessados por causa de frases absolutamente simples, do tipo "Não obrigado, eu não gosto de beber". As palavras diziam "Tu tá certo" mas os olhos bradavam "Que viado idiota, nunca vai ser homem". Já há bastante tempo tenho a convicção que não só os vizinhos da minha idade acham que sou homosexual, mas como também meus pais, meus tios, avós e primos. Nunca tiveram a honratez de me dizer isso na cara, mas seus pequenos gestos e códigos são mais claros que água cristalina. É duro dizer tudo isso, mas infelizmente é verdade.
Eu não diria que nasci no lugar errado. Não, estaria sendo injusto. De certa forma acredito que sou fruto desse meio, já que o fato de ser daqui aliado a várias pequenas circunstâncias moldou minha personalidade eo meu jeito de ser; e por isso, dou é graças a Deus por ter nascido aqui. Em outro lugar, acho que não seria o que sou. E apesar de todos os meus defeitos, gosto do que sou.
Não posso dizer que meus familiares sejam pessoas ruins, muito pelo contrário, são pessoas que tem índole, caráter, mas que se deixam dominar por preceitos culturais que entendem como verdades absolutas, e que acabam tendo um preconceito intrínseco com o que é diferente do que entendem ser o certo. Essa ideia toda soa um tanto incoerente, mas é assim mesmo, o preconceito de quem vive praticamente isolado em pequenas colônias germânicas parte muito mais por inércia cultural do que por maldade.
Mas bem, isso não significa que não machuque. Passei minha vida inteira sendo recriminado por coisas fúteis, nunca tive apoio para nada e quase sempre recebia risadas ou olhares de deboche quando dizia que queria ir além nos estudos. Muito mais de uma vez que ouvi conselhos para esquecer essa coisa de estudar e ficar na roça, que eu iria era mesmo me quebrar a cara e voltar pra casa com o rabo no meio das pernas, que me toranria um igual a eles.
No dia que fico sabendo que consegui entrar na Universidade Federal de Pelotas recebo mil parabenizações, grandes elogios; nenhum sincero. Meu pai não disse nada, me enganei achando que ele tinha me olhado com orgulho, já que o que eu entendi por orgulho era um tipo estranho de inconformação. Ele nunca tentou me desmotivar, mas também jamais me deu uma palavra de incentivo. Alguns dias atrás estava indo para o centro com ele, quando passou na estrada um cara um ou dois anos mais velho que eu, o perfeito colono, que se acaba na roça, comprou uma moto aos 17, não terminou o ensino médio e que passa o fim de semana de porre. Meu pai então buzinou, gritou, um verdeiro carnaval, com um grande sorriso no rosto. Uns dois minutos depois fiz um pergunta qualquer, e de resposta ganhei grosseria e uma cara fechada. Bem, não é difícil imaginar quem ele preferiria como filho.
Mas domingo eu vou embora. Vou deixar tudo isso para trás. Óbvio que vão continuar falando mal de mim, mas só o fato de eu ir pra longe, de ter conseguido o que nínguem aqui conseguiu, de ter provado que era capaz, já me tem sabor de vitória.
Saudade vai ser algo presente, claro que sim, não vou ser doente mental de afirmar que não sentiria saudade. Mas o sentimento de poder começar um vida nova, sem precisar sair dizendo por todo lado "sou o filho do fulano", "primo do siclano" e afins, sendo eu mesmo, é algo que vai compensar qualquer falta que uma família que não gosta de mim virá a fazer.
Saudade mesmo eu vou sentir dos meus poucos mais verdadeiros amigos. Amigos no sentido pleno da palavra. Pessoas que me aceitaram, que me ouviram, que me entendem, que não me julgam. De vocês, meus caros, a saudade será crucidante.
Enfim, só espero que essas palavras todas não soem como choradeira, não foi essa a intenção. No máximo um desabafo, de coisas que eu andava guardando dentro da cabeça há tempo demais, e que vinham sendo pesadas demais.
Não sei se será uma liberdade plena, mas de qualquer modo, começo a traçar meu próprio caminho.
Eles nunca conseguiram me enganar com os elogios por ser bom aluno, por não causar problemas aos meus pais, por ser comportado e educado com as pessoas em geral. Tudo isso nada mais fora do que mentiras convenientes, bases da sólida e eterna hipocrisia que envolve essa instituição chamada família.
Olhares entregam muito mais sobre opiniões do que palavras. E foram tantos os olhares atravessados por causa de frases absolutamente simples, do tipo "Não obrigado, eu não gosto de beber". As palavras diziam "Tu tá certo" mas os olhos bradavam "Que viado idiota, nunca vai ser homem". Já há bastante tempo tenho a convicção que não só os vizinhos da minha idade acham que sou homosexual, mas como também meus pais, meus tios, avós e primos. Nunca tiveram a honratez de me dizer isso na cara, mas seus pequenos gestos e códigos são mais claros que água cristalina. É duro dizer tudo isso, mas infelizmente é verdade.
Eu não diria que nasci no lugar errado. Não, estaria sendo injusto. De certa forma acredito que sou fruto desse meio, já que o fato de ser daqui aliado a várias pequenas circunstâncias moldou minha personalidade eo meu jeito de ser; e por isso, dou é graças a Deus por ter nascido aqui. Em outro lugar, acho que não seria o que sou. E apesar de todos os meus defeitos, gosto do que sou.
Não posso dizer que meus familiares sejam pessoas ruins, muito pelo contrário, são pessoas que tem índole, caráter, mas que se deixam dominar por preceitos culturais que entendem como verdades absolutas, e que acabam tendo um preconceito intrínseco com o que é diferente do que entendem ser o certo. Essa ideia toda soa um tanto incoerente, mas é assim mesmo, o preconceito de quem vive praticamente isolado em pequenas colônias germânicas parte muito mais por inércia cultural do que por maldade.
Mas bem, isso não significa que não machuque. Passei minha vida inteira sendo recriminado por coisas fúteis, nunca tive apoio para nada e quase sempre recebia risadas ou olhares de deboche quando dizia que queria ir além nos estudos. Muito mais de uma vez que ouvi conselhos para esquecer essa coisa de estudar e ficar na roça, que eu iria era mesmo me quebrar a cara e voltar pra casa com o rabo no meio das pernas, que me toranria um igual a eles.
No dia que fico sabendo que consegui entrar na Universidade Federal de Pelotas recebo mil parabenizações, grandes elogios; nenhum sincero. Meu pai não disse nada, me enganei achando que ele tinha me olhado com orgulho, já que o que eu entendi por orgulho era um tipo estranho de inconformação. Ele nunca tentou me desmotivar, mas também jamais me deu uma palavra de incentivo. Alguns dias atrás estava indo para o centro com ele, quando passou na estrada um cara um ou dois anos mais velho que eu, o perfeito colono, que se acaba na roça, comprou uma moto aos 17, não terminou o ensino médio e que passa o fim de semana de porre. Meu pai então buzinou, gritou, um verdeiro carnaval, com um grande sorriso no rosto. Uns dois minutos depois fiz um pergunta qualquer, e de resposta ganhei grosseria e uma cara fechada. Bem, não é difícil imaginar quem ele preferiria como filho.
Mas domingo eu vou embora. Vou deixar tudo isso para trás. Óbvio que vão continuar falando mal de mim, mas só o fato de eu ir pra longe, de ter conseguido o que nínguem aqui conseguiu, de ter provado que era capaz, já me tem sabor de vitória.
Saudade vai ser algo presente, claro que sim, não vou ser doente mental de afirmar que não sentiria saudade. Mas o sentimento de poder começar um vida nova, sem precisar sair dizendo por todo lado "sou o filho do fulano", "primo do siclano" e afins, sendo eu mesmo, é algo que vai compensar qualquer falta que uma família que não gosta de mim virá a fazer.
Saudade mesmo eu vou sentir dos meus poucos mais verdadeiros amigos. Amigos no sentido pleno da palavra. Pessoas que me aceitaram, que me ouviram, que me entendem, que não me julgam. De vocês, meus caros, a saudade será crucidante.
Enfim, só espero que essas palavras todas não soem como choradeira, não foi essa a intenção. No máximo um desabafo, de coisas que eu andava guardando dentro da cabeça há tempo demais, e que vinham sendo pesadas demais.
Não sei se será uma liberdade plena, mas de qualquer modo, começo a traçar meu próprio caminho.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Romances ingleses
Romances ingleses: esses dias cheguei a conclusão de que exagerei neles.
Fiz uma pergunta qualquer para o meu pai, e por seu comum jeito irritadiço me respondeu um tanto grossamente. Quando ele fez isso acabei me lembrando de uma passagem de um romance inglês onde um distinto nobre sacaneia enormemente um americano um tanto idiota. A forma como ele falava era polida, cínica, fria e absolutamente intimidadora, mas sem mostrar qualquer coisa parecida com algum resquício de irritação. Fiquei imaginando por que é tão complicado para a maioria das pessoas ao menos parecer ser educada, tendo um mínimo de polidez e calma. Eu tento ser assim.
Ontem passei algumas horas de ócio na biblioteca pública da Feliz, e reli uma boa parte de um ótimo romance inglês chamado "Os Senhores de Cashelmara", de Susan Howatch. Um grandioso épico familiar que passa por 50 anos e três gerações de uma importante família da corte britância. Li esse livro em 2006, tinha o achado maravilhoso, e continuei achando quando vi ele de novo parado na mesa estante tanto tempo depois. E relendo algumas passagens acabei me dando conta de uma coisa: sou quase um britânico. Peu jeito polido, um tanto frio, fleumático de certa forma. No exato momento não me dei conta do porquê, daí fiquei fantasiando sobre o tema. Reparando nisso parei para pensar na quantida enorme de romances de origem inglesa que eu já li.
Já me perguntei algumas vezes por que diabos sou tão frio pra vida desde que comecei a me preocupar com isso. Pensava, pensava e pensava e não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Mas então, ontem, relendo aquele livro, tudo ficou claro como água cristalina: romances ingleses. Li dezenas deles, muita coisa mesmo, tantos que por osmose acabei absorvendo o jeito de ser dos britânicos. Mesmo histórias de amor mais acaloradas acabam tendo uma dose pesada de fleuma, de dureza, de estoicismo. Acabei me vendo naquelas páginas amareladas.
Sem querer notei outra coisa: nunca gostei de histórias de amor tórridas, quentes, de "sangue-latino", assim digamos. Sempre tive uma atração maior por coisas que tivessem um cunho racional mais forte em evidencia, contrastando com o sentimentalismo. De certa forma, acredito que isso foi uma forma inconsciente de me identificar, me sentir mais próximo da trama, por nunca conseguir entender os meandros daquilo que os poetas costumam chamar de "coisas do coração".
De que me serviu isso? Provavelmente nada, porque teoricamente eu já deveria saber disso tudo, minha neurose incontrolável me obriga a achar que tenho a obrigação de entender tudo por conta própria. Mas enfim, como ultimamente ando sendo mais aberto a pensar em sentimentalismo e coisas do gênero, acabou sendo interessante essa descoberta de auto-conhecimento.
E no mais, eu adoro romances ingleses, e nem penso em larga-los.
Fiz uma pergunta qualquer para o meu pai, e por seu comum jeito irritadiço me respondeu um tanto grossamente. Quando ele fez isso acabei me lembrando de uma passagem de um romance inglês onde um distinto nobre sacaneia enormemente um americano um tanto idiota. A forma como ele falava era polida, cínica, fria e absolutamente intimidadora, mas sem mostrar qualquer coisa parecida com algum resquício de irritação. Fiquei imaginando por que é tão complicado para a maioria das pessoas ao menos parecer ser educada, tendo um mínimo de polidez e calma. Eu tento ser assim.
Ontem passei algumas horas de ócio na biblioteca pública da Feliz, e reli uma boa parte de um ótimo romance inglês chamado "Os Senhores de Cashelmara", de Susan Howatch. Um grandioso épico familiar que passa por 50 anos e três gerações de uma importante família da corte britância. Li esse livro em 2006, tinha o achado maravilhoso, e continuei achando quando vi ele de novo parado na mesa estante tanto tempo depois. E relendo algumas passagens acabei me dando conta de uma coisa: sou quase um britânico. Peu jeito polido, um tanto frio, fleumático de certa forma. No exato momento não me dei conta do porquê, daí fiquei fantasiando sobre o tema. Reparando nisso parei para pensar na quantida enorme de romances de origem inglesa que eu já li.
Já me perguntei algumas vezes por que diabos sou tão frio pra vida desde que comecei a me preocupar com isso. Pensava, pensava e pensava e não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Mas então, ontem, relendo aquele livro, tudo ficou claro como água cristalina: romances ingleses. Li dezenas deles, muita coisa mesmo, tantos que por osmose acabei absorvendo o jeito de ser dos britânicos. Mesmo histórias de amor mais acaloradas acabam tendo uma dose pesada de fleuma, de dureza, de estoicismo. Acabei me vendo naquelas páginas amareladas.
Sem querer notei outra coisa: nunca gostei de histórias de amor tórridas, quentes, de "sangue-latino", assim digamos. Sempre tive uma atração maior por coisas que tivessem um cunho racional mais forte em evidencia, contrastando com o sentimentalismo. De certa forma, acredito que isso foi uma forma inconsciente de me identificar, me sentir mais próximo da trama, por nunca conseguir entender os meandros daquilo que os poetas costumam chamar de "coisas do coração".
De que me serviu isso? Provavelmente nada, porque teoricamente eu já deveria saber disso tudo, minha neurose incontrolável me obriga a achar que tenho a obrigação de entender tudo por conta própria. Mas enfim, como ultimamente ando sendo mais aberto a pensar em sentimentalismo e coisas do gênero, acabou sendo interessante essa descoberta de auto-conhecimento.
E no mais, eu adoro romances ingleses, e nem penso em larga-los.
Assinar:
Postagens (Atom)